Como as corretoras com taxa zero ganham dinheiro?

Como as corretoras com taxa zero ganham dinheiro?
Por: Da Redação em 09/02/2021

Corretoras com taxa zero é uma ótima tendência para o investidor, mas é preciso entender, enfim, como essas instituições financeiras estão ganhando dinheiro? Sabendo dessa informação, você terá mais capacidade de tomar decisões em relação aos seus investimentos, como a necessidade ou não da portabilidade de investimentos. Além disso, poderá fugir de alguns conflitos de interesses.

A corretagem zerada chegou para transformar o setor e aumentar ainda mais a competitividade. Se até há alguns anos investir era caro por conta das altas taxas, essa realidade mudou. O uso da tecnologia no mercado financeiro e a multiplicação das corretoras de valores permitiram a popularização dos investimentos e a oferta de serviços cada vez melhores. Com a maior competitividade nesse mercado, as corretoras começaram a disputar os clientes reduzindo algumas taxas cobradas e oferecendo cada vez mais benefícios.

A corretagem zero começou a ser feita nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 2018 com a Clear Corretora. Encontrar uma corretora com taxa zero já não é mais uma missão impossível. A tendência é ver cada vez mais corretoras zerando taxas dos clientes. Recentemente a Rico anunciou que zerou a taxa de corretagem para ações. A XP Investimentos, por sua vez, reduziu a taxa em cerca de 75% para sua plataforma digital. Afinal, o que está por trás da taxa zero nas corretoras? Acompanhe, na sequência, como funciona a corretagem zero nos investimentos e como essas instituições que não cobram taxa ganham dinheiro.

O que significa corretora com taxa zero?

Corretora com taxa zero é a instituição que não cobra suas próprias alíquotas. Esta é uma forma de atrair novos clientes e aumentar o incentivo aos investimentos. As corretoras de valores, por sua vez, são instituições financeiras que atuam como intermediárias no mercado financeiro. São elas que fazem a ponte entre o investidor e a Bolsa de Valores, além da compra e venda de títulos e valores mobiliários.

Para executar o serviço, a corretora pode cobrar a chamada taxa de corretagem. Essa cobrança é exclusiva da corretora, portanto, ela pode ou não cobrá-la de acordo com as estratégias de negócio. Além da taxa de corretagem, existem outros custos que não dependem da corretora. No entanto, as corretoras são empresas e, assim como qualquer outra, visam a expansão, o crescimento e o lucro. Mesmo zerando a corretagem, essas empresas precisam ganhar dinheiro de alguma forma e costumam compensar a perda dessa receita com outros serviços.

Tendência taxa zero ou de redução drástica da corretagem

Há um movimento de redução da taxa de corretagem entre as principais corretoras. Muitas delas, inclusive, já zeraram essa cobrança. Essa tendência mostra a democratização do investimento, facilitando cada vez mais o acesso do brasileiro ao mercado acionário. A taxa zero já existe há bastante tempo para a manutenção da conta e mais recentemente para a taxa de corretagem.

A pioneira em taxa zero no mercado brasileiro foi a Clear Corretora. Desde 2018 não há taxas para comprar e vender ações e outros ativos pela corretora. A Toro Investimentos também zerou a taxa de corretagem de todos os produtos da bolsa em sua plataforma, além de cashback em fundos de investimentos.

Esse movimento é uma tendência global já observada em países onde a cultura de se investir em ações por conta própria é mais consolidada. A mais nova corretora a anunciar taxa zero de corretagem foi a Rico. A partir do dia 14 de setembro operações em ações com lote padrão ou fracionário pelo home broker da Rico estão zeradas. Apesar disso, o mercado de opções para ações, Commodities e outras operações seguem sendo cobradas.

A XP Investimentos também anunciou uma redução de 75% da taxa de corretagem em relação ao valor atual. Dessa forma, o cliente passa a pagar entre R$ 2,90 e R$ 4,90 por operação online feitas pelo próprio cliente.

O ambiente atual é propício para o fortalecimento do mercado acionário brasileiro, dentre outros motivos:

  • Taxa de juros Selic em seu mínimo histórico (2% ao ano);
  • Aumento do número de investidores em renda variável;
  • Novas empresas abrindo o capital;
  • Procura crescente por educação financeira;
  • Taxa zero de corretagem.

Isenção de taxa na renda fixa e renda variável

Para o investimento em renda fixa (tesouro direto, CDB, LCI, LCA, Letra de Câmbio, dentre outros), praticamente todas as corretoras NÃO cobram nenhuma taxa. O primeiro investimento a ser isento de taxas foi o Tesouro Direto. Com isso se buscava incentivar o brasileiro a investir. Mesmo não ganhando com a taxa em si, as corretoras ganharam em marketing, pois, com a entrada de novos clientes, eles poderiam vir a operar com outros produtos mais rentáveis que são oferecidos.

Em 2016, foi a vez dos títulos de renda fixa (como CDB, LCI e LCA) entrarem na “promoção” das corretoras. Com a isenção de cobranças da renda fixa, as corretoras independentes passaram a competir com os bancos, com a vantagem de oferecerem uma maior variedade de produtos e uma melhor qualidade dos serviços. Atualmente, o mercado passa por um momento em que as corretoras estão trabalhando para zerar as taxas para o cliente.

Algumas corretoras resolveram estender a isenção para a renda variável e não cobram corretagem para o investimento em ações. Essas corretoras, geralmente, ganham com operações mais estruturadas. Seja com o spread dos investimentos de renda fixa, que é a diferença do ativo oferecido originalmente pela instituição financeira de quanto é ofertado para o cliente final. Pela taxa de utilização da plataforma de trading, saldo para operações, indicações de carteiras, comissão sobre fundos, consultas com especialistas, entre outros.

Enfim, como as corretoras de valores ganham dinheiro?

As corretoras de valores são empresas que prestam serviços no mercado financeiro e, como tal, são remuneradas por isso. Em geral, as corretoras ganham dinheiro pelo:

  • Float;
  • Spread;
  • Taxa de corretagem;
  • Porcentagem da taxa de custódia;
  • Repasse na distribuição de fundos.

Sendo assim, mesmo com taxa zero de corretagem, as corretoras de investimentos continuam a ganhar dinheiro, pois, no mercado financeiro, como se diz corriqueiramente no “economês”: não existe almoço grátis. A seguir, uma explicação de cada termo citado anteriormente:

Float

Float é uma retenção temporária de recursos. O dinheiro que fica parado em conta, seja na conta corrente de um banco ou na conta de uma corretora, gera uma remuneração para a instituição financeira equivalente a 100% do CDI. Isso ocorre também na antecipação de taxas que serão repassadas a B3, por exemplo. Ao cobrar alguns dias antes, a instituição deixa o dinheiro rendendo antes de repassá-lo. Ou então na cotização de resgate. A rentabilidade de 100% do CDI pode parecer pequena, mas imagine a quantidade de dinheiro que “flutua” nas contas correntes.

Spread

Spread é a diferença de preço entre o ativo de renda fixa oferecido originalmente pela instituição financeira e a sua venda para o cliente final. Ele funciona de modo semelhante às compras de atacado e varejo. Uma vez que o trabalho de uma corretora é distribuir investimentos, ela “compra” o produto direto do fornecedor em grandes quantidades, só que “vende” para os clientes por outro valor.

Por exemplo, o banco X decide emitir um CDB que paga 120% do CDI. A corretora irá colocar à disposição de seus clientes esse mesmo CDB, porém com uma taxa de 118% CDI. Esses 2% de diferença ficam para a corretora. Se o investidor fosse comprar diretamente no banco emissor, dificilmente conseguiria aplicar. Isso só seria possível se ele tivesse muito dinheiro para comprar no “atacado”.

Taxa de corretagem

A taxa de corretagem é o valor cobrado pela instituição pela intermediação dos serviços. O valor varia entre cada instituição, seja em um valor fixo, pacotes ou porcentagem do valor investido. Como não é obrigatória e é de exclusividade da corretora, existem instituições que isentam o cliente dessa taxa.

Porcentagem da taxa de custódia

A taxa de custódia é uma tarifa paga a uma instituição para fazer o registro de um investimento em nome de quem investiu. Essa taxa pode ter um valor fixo ou ser cobrada através de uma porcentagem incidente sobre o valor dos papéis guardados. Como não é obrigatória, é possível encontrar instituições que não cobram pela guarda dos ativos. Em alguns casos, a taxa não é de competência da corretora ou banco, sendo cobrada diretamente pela B3. Nesse caso, não há como eliminar este custo.

Repasse na distribuição de fundos

O repasse funciona de forma semelhante ao spread. Sendo assim, o gestor do fundo repassa a corretora uma porcentagem referente ao valor que os clientes dessa corretora aplicaram no fundo. Por exemplo, um fundo que cobre 2% ao ano e repasse para as corretoras 0,5% para que elas disponibilizem seu fundo em suas plataformas.

Além destas, as corretoras ainda podem ganhar dinheiro de outras formas, por exemplo, através de multa por saldo devedor. Esta é uma penalidade cobrada caso o cliente não tenha dinheiro na conta para pagar suas operações de compra de ações e opções ou no pagamento do ajuste diário no mercado futuro. Outra forma comum das corretoras ganharem dinheiro é na alocação de cobertura de margem, que consiste nas garantias das alavancagens financeiras.

Conclusão

A onda de corretoras com taxa zero de corretagem trouxe um grande benefício para o pequeno investidor. Isso porque o custo da corretagem acaba pesando no curto e longo prazo. Mesmo parecendo um valor pequeno quando analisado isoladamente, quando acumuladas no longo prazo, as taxas conseguem tirar uma boa parcela dos seus rendimentos. Esse valor cresce gradativamente com uma movimentação mais ativa da carteira de ações, como no caso dos traders.

Vale lembrar que o preço não deve ser o único fator de escolha da corretora de valores. Além disso, saiba que existem diferenças de taxas que podem incidir sobre os investimentos, sendo que algumas delas não dependem da corretora. Dessa forma, é fundamental que você observe com atenção o detalhamento de custos da corretora e também pesquise sobre os custos do ativo que escolher.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*Os comentários não representam a opinião do portal ou de seu editores! Ao publicar você está concordando com a Política de Privacidade.

*