Tesouro Direto: o que é, como funciona e como eu consigo investir?

Sabia que você pode investir na dívida pública brasileira e, ainda, contribuir com o desenvolvimento do país? Acompanhe, na sequência

Por: Alison Pitangueira em 21/08/2020
um homem feliz porque conseguiu ganhar dinheiro com o tesouro direto

O Tesouro Nacional é o responsável por um dos programas de investimento em renda fixa mais interessantes do mercado financeiro do Brasil. Se você já investiu ou já pensou em aplicar no Tesouro Direto, vale a pena entender antes que títulos são esses e quais são os seus pilares de sustentação.

Ficou curioso? Quer saber mais sobre o assunto e como investir? O que são as dívidas públicas (interna e externa)? Como funciona o Tesouro Direto? Como investir em títulos do Tesouro? Quais os tipos de títulos? Continue por aqui! Na sequência, o Plusdin responde a todas estas questões e te oferece uma ótima opção para investimento!

O que é o Tesouro Nacional?

O Tesouro Nacional é uma secretaria do Governo Federal, responsável por administrar os recursos financeiros que entram nos cofres públicos, ou seja, é considerado o “caixa-forte” do Brasil. Os recursos depositados nesse “grande cofre” vêm, principalmente, dos impostos pagos por você, como cidadão brasileiro.

O Tesouro Nacional também administra os programas de saneamento financeiro de Estados e municípios, além de controlar a dívida pública da União.

Além da tributação, o Governo Federal recorre a títulos de dívida pública federal, emitidos pelo Tesouro Nacional, para financiar suas atividades. E são exatamente esses títulos que você compra ao investir no Tesouro Direto.

Quais os tipos de dívida pública?

A dívida pública é o valor devido por todos os estados, municípios, estatais e pela própria União, seja em empréstimos ou em financiamentos. Essa dívida pode ser classificada em interna, quando tomada por instituições e indivíduos brasileiros, e externa, quando tomada por entidades estrangeiras.

Dívida pública interna

A dívida pública interna pode ser paga em moeda nacional e vem de financiamento de gastos com educação, saúde e infraestrutura; além de pagamentos de juro sobre dívida e manutenção da política monetária e cambial.

Dívida pública externa

A dívida pública externa é o somatório dos débitos do país, resultantes de empréstimos tomados no exterior pelo governo e empresas estatais e privadas. Pode, inclusive, ser paga em moeda estrangeira. Esses recursos podem vir de governos, instituições financeiras como Banco Mundial e FMI e empresas privadas.

E qual a relação da dívida do Brasil com seu investimento?

São exatamente os títulos da dívida interna que você compra ao investir no Tesouro Direto, ou seja, você está comprando um pedaço da dívida pública brasileira. A emissão desses títulos tem a finalidade de captar recursos para financiar a dívida pública, a educação, a saúde e a infraestrutura do país.

O que é o Tesouro Direto?

O tesouro direto se caracteriza como um título público de renda fixa que é emitido pelo Tesouro Nacional. Essa aplicação é executada da mesma maneira que um empréstimo. Desse modo, o investidor empresta a quantia investida ao governo e esse dinheiro é retornado com juros acrescidos no dia do vencimento.

Vale destacar que o investimento no tesouro direto é direcionado para o financiamento de áreas públicas (saúde, educação, infraestrutura). Portanto, o investidor, além do retorno financeiro, ajuda no desenvolvimento do país.

O tesouro direto apresenta riscos muito baixos e oferece segurança ao investidor. Por esse motivo, nos dias atuais, chama atenção de grande parte dos investidores. Além disso, esse modelo de investimento disponibiliza um catálogo bem diversificado de opções. Entretanto, é necessário que o investidor entenda o funcionamento, prazos e o modelo mais viável de aplicação.

Como funciona a aplicação?

Há uma lista de opções quando se fala em investir no Tesouro Direto. Para que você possa avaliar qual se encaixa mais no seu perfil e nos seus objetivos, a gente listou as principais delas a seguir. Veja quais são e também como funcionam:

Tesouro IPCA+ (NTNB Princ)

A rentabilidade do Tesouro IPCA + (NTNB Princ) é definida em um percentual de juros ao ano mais a variação do IPCA do período. A remuneração e o desconto do Imposto de Renda ocorrem apenas no vencimento.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB)

A rentabilidade do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais também é definida com um juro anual mais a variação do IPCA do período. A diferença está em sua remuneração, que oferece pagamentos a cada semestre (com incidência do Imposto de Renda a cada seis meses, e, dessa forma, impactando no rendimento líquido).

Tesouro Prefixado

Essa categoria de investimento do tesouro é dividida em dois tipos de títulos: tesouro prefixado (LTN) e tesouro prefixado com juros semestrais (NTN-F). As diferenças entre essas duas modalidades são:

  • Tesouro prefixado – Letras do Tesouro Nacional (LTN): este título se caracteriza como o mais simples da modalidade. Nele, investidor, caso não venda o título, tem ciência da rentabilidade até o momento do retorno. A taxa de cobrança e de rendimento é cobrada anualmente.
  • Tesouro prefixado com juros semestrais – Nota do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F): este título funciona quase da mesma maneira, mas o prazo Tem um período de seis meses. Além disso, o investidor recebe cupons de juros semestrais que possibilitam um acréscimo da liquidez. Vale sublinhar que nesse tipo as taxas de cobrança são realizadas semestralmente.

Tesouro Selic

O tesouro direto indexado à Selic é uma modalidade de título público em que a rentabilidade é atrelada à taxa Selic. Dessa forma, o retorno do investidor que aplica nesse ativo é correspondente à porcentagem da taxa Selic. O tesouro indexado à Selic se configura como um dos mais procurados do Tesouro Direto. Isso se justifica pela sua flexibilidade, baixa volatilidade e garantia de rendimento positivo.

Qual título escolher?

É muito comum que o investidor fique em dúvida ao escolher entre Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA e Tesouro Selic. Em cenários de queda da Selic, o Tesouro IPCA oferece uma forma de aplicar no longo prazo com blindagem da inflação e um ganho real. Já o prefixado garante o rendimento nominal definido na contratação, mesmo que a taxa de juros sofra cortes.

Vale destacar que, se você quiser vender esses dois títulos antes do vencimento, corre o risco de perder dinheiro. Esses papéis sofrem a marcação a mercado, ou seja, têm volatilidade em seu valor antes do vencimento.

Se você ainda está começando nesse universo de investimentos, é bom saber, antes de aplicar, que o Tesouro Selic pode ser negociado sem esse potencial de prejuízo, em qualquer momento, pois não tem a mesma volatilidade.

Outra opção para os investidores iniciantes é um fundo de Tesouro Direto. Algumas corretoras oferecem fundos desse tipo, em que o investidor faz um aporte de recursos e deixa a compra dos títulos a cargo de um gestor profissional, que escolhe os melhores vencimentos e prazos. Depois, não é preciso se preocupar com detalhes da venda, e o custo de manutenção é mais baixo.

Cobrança de algumas taxas

Existem custos que devem ser considerados na projeção de rentabilidade líquida ao investir no Tesouro Direto e valem ser destacados aqui. Um deles é cobrado pela B3, que opera os investimentos. A taxa de custódia é de 0,30% ao ano. Outra taxa pode ser cobrada pela corretora, como um custo de administração.

Cobrança de tributos

O Tesouro Direto não é livre de Imposto de Renda, como a poupança. Sua tributação funciona da mesma maneira que muitos investimentos de renda fixa, como os CDBs: quanto maior tempo de aplicação, menor será a alíquota cobrada.

Para aplicações inferiores a 30 dias, há ainda a cobrança de IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras, que segue a tabela abaixo:

Tabela de IOF Regressivo
Prazo (dias corridos) Alíquota de IOF Prazo (dias corridos) Alíquota de IOF
1 96% 16 46%
2 93% 17 43%
3 90% 18 40%
4 86% 19 36%
5 83% 20 33%
6 80% 21 30%
7 76% 22 26%
8 73% 23 23%
9 70% 24 20%
10 66% 25 16%
11 63% 26 13%
12 60% 27 10%
13 56% 28 6%
14 53% 29 3%
15 50% 30 0%

Parece exagerada a cobrança de 96% de IOF para o rendimento de uma aplicação de um dia, não é verdade? Esse alerta se faz necessário, já que os investimentos se beneficiam de prazos mais longos, especialmente no que se refere aos tributos.

Como é calculado o Imposto de Renda do Tesouro Direto?

O Imposto do Tesouro Direto (e muitas aplicações de renda fixa) segue uma tabela, de 22,5% (para menos de 180 dias) a 15% (para mais de 720 dias).

Acompanhe como é a tabela do Imposto de Renda:

PRAZO DE APLICAÇÃO | ALÍQUOTA IR

  • Até 180 dias – 22,5%
  • De 181 a 360 dias – 20%
  • De 361 a 720 dias – 17,5%
  • Acima de 721 dias – 15%

Para garantir a menor alíquota, de 15%, nos cálculos, lembre-se de que o Imposto de Renda incide apenas sobre a valorização do investimento, e não sobre todo o título, certo?

Rendimento do Tesouro Direto

O Tesouro Direto não é sempre a aplicação de renda fixa que oferece a maior rentabilidade, mas não decepciona se comparado com títulos de instituições privadas. Seu maior diferencial é mesmo a segurança, com sua garantia oferecida pelo Governo Federal.

Lembrando que você pode conferir os rendimentos de todos os títulos à disposição no momento no site do Tesouro Direto (https://www.tesourodireto.com.br/titulos/precos-e-taxas.htm).

Quais São as Vantagens do Tesouro Direto?

Claro que mesmo com risco baixo, ainda existem riscos!
Como um futuro investidor, você deve estar preparado para conhecer todos os pontos do investimento: sendo positivos e negativos.
Para te ajudar, vamos listar cada um desses pontos.

Facilidade

O seu investimento no Tesouro Direto é fácil e simples de ser feito, você só precisa de internet e uma conta em um banco e/ou instituição financeira. Ou seja, comece a investir o seu dinheiro sem sair de casa.

Os títulos são disponibilizadas a cada dia, em horários definidos para compra e venda.

Risco e Segurança

Considerado um investimento de baixo risco, o Tesouro Direto é emitido pelo órgão máximo do país, o governo! O que significa isso? A possibilidade do governo brasileiro quebrar, é mínima.

Outra vantagem: o repasse do rendimento é garantido pelo Estado, assim você garante a segurança do investimento.

Rentabilidade do Tesouro Direto

Devido a rentabilidade alta dos títulos públicos, atualmente eles se tornaram famosos entre as pessoas que investem. Investindo seu dinheiro neles, você consegue obter ótimos rendimentos sem abrir mão da segurança.

Além do rendimento, existe um outro atrativo do Tesouro Direto: a venda antecipada. Caso ocorra a venda, ela pode te trazer ótimos lucros como investidor, pois os títulos são precificados todos os dias, conforme os juros futuros.

Quando a expectativa sobre os juros cai, o preço do papel aumenta, assim o investimento feito vale mais do que você pagou, obtendo ganhos. Para isso dar certo, é necessário uma marcação de mercado, ou sua operação terá perdas.

Acessibilidade

Uma vantagem incrível do Tesouro Direto é que você não precisa ser expert em economia e investimos para poder investir o seu dinheiro. Pequenos investidores, ou até mesmo pessoas que não sabem nada do assunto podem confiar na segurança que o Projeto traz, garantindo uma boa rentabilidade.

Por exemplo: com apenas R$100 reais você já consegue ser um investidor em títulos públicos.

Garantia de liquidez

O Tesouro Nacional garante liquidez diária aos seus títulos públicos adquiridos no Tesouro Direto. Isso significa que os investimentos podem ser resgatados todos os dias. Das 9h30 às 18h, nos dias úteis, os resgates serão processados com os preços e taxas disponíveis no momento da transação. Já das 18h às 5h e ao longo de todo o fim de semana ou feriado, os resgates serão liquidados com os preços e taxas de abertura do dia útil seguinte.

Venda antecipada dos títulos do Tesouro Direto

Quem investe em Tesouro Direto deve se lembrar, antes, de que a venda antecipada dos títulos prefixados e vinculados à inflação pode acarretar prejuízo, se feita sem o devido monitoramento dos valores dos papéis. Por isso, se você não sabe se poderá manter o título até o seu vencimento e não possui grande conhecimento das variáveis econômicas que afetam o valor dos papéis do Tesouro, vale a pena investir no Tesouro Selic.

Essa modalidade oferece o rendimento da taxa básica de juros e não sofre volatilidade na venda antecipada. Com ele, você tem certeza de uma operação lucrativa.

Como investir no tesouro direto pela sua conta pessoal: passo a passo

A primeira etapa a ser dada pelo investidor que deseja investir no tesouro direto pela sua conta pessoal consiste em certificar se agência financeira cadastrada permite esse tipo de aplicação. Confirmando isso, ele necessita solicitar à instituição para que ela realize o seu registro no Tesouro Nacional. Depois que o cadastro for feito, o investidor receberá uma senha, enviada pela B3, para acessar o Portal do Investidor.

Entretanto, será necessário que ele cadastre uma nova senha para começar a aplicar o seu dinheiro no Tesouro Nacional. O processo para investir no tesouro direto pela conta pessoal é bem simples, como pode ser visto abaixo:

  • Entrar no menu do site do Tesouro e clicar na opção “Investir e Resgatar”;
  • Entrar na opção “Investir”;
  • Analisar os títulos disponíveis para compra;
  • Selecionar o título;
  • Preencher o valor que deseja aplicar;
  • Clicar na opção continuar;
  • Confirmar os títulos e valores investidos;
  • Aguardar a confirmação por e-mail.

É importante destacar que o investidor pode aplicar o seu dinheiro em mais de um título. Portanto, ele pode aplicar nas três modalidades disponíveis pelo Tesouro e assegurar uma boa rentabilidade financeira.

Valor mínimo para investir no tesouro direto pela sua conta pessoal

Há no imaginário coletivo a ideia de que é necessário muito dinheiro para investir em títulos. No entanto, esse tipo de pensamento precisa ser desmistificado. Para investir no tesouro direto pela sua conta pessoal, o investidor precisa de apenas R$ 100 para cada título adquirido. No entanto, é preciso salientar que, quanto maior o valor investido, maior o retorno.

O investimento no tesouro pela conta pessoal é uma excelente opção para quem deseja diversificar a carteira de aplicações, ter boa rentabilidade e garantir a segurança em relação ao seu dinheiro.
Por essa razão, é importante avaliar bem as possibilidades de investimento, bem como as modalidades disponíveis para aplicação no tesouro direto.

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