Selic cai, mas empréstimo sobe: por que o crédito ficou mais caro em abril e como fugir dos juros

Isso significa que o custo do dinheiro para o consumidor final aumentou, mesmo com a economia tentando sinalizar uma queda.

Por: Pamela Gaudio em 22/04/2026
Tempo de Leitura: 3 minutos
empréstimo mais caro em abril
Mesmo com a queda da taxa Selic para 14,75%, os juros do empréstimo pessoal subiram em abril de 2026, atingindo média de 8,44% ao mês segundo o Procon-SP. Bancos como Bradesco e Banco do Brasil elevaram suas taxas, enquanto o Safra mantém a menor média (7,25%). O cenário exige cautela do consumidor, que deve evitar o cheque especial (8% a.m.) e priorizar a contratação de crédito apenas para emergências ou substituição de dívidas mais caras, como o rotativo do cartão.

Uma notícia pegou muitos brasileiros de surpresa: apesar de o Banco Central ter iniciado o corte na taxa Selic (agora em 14,75% ao ano), os bancos seguiram o caminho oposto e o empréstimo está mais caro em abril.

Segundo o Procon-SP, a taxa média do empréstimo pessoal subiu para 8,44% ao mês em abril. Isso significa que o “custo do dinheiro” para o consumidor final aumentou, mesmo com a economia tentando sinalizar uma queda.

Se você estava planejando pegar crédito agora, precisa entender o que está acontecendo nos bastidores.

Por que o banco aumentou os juros se a Selic caiu?

Pode parecer contraditório, mas o banco não usa apenas a Selic para definir sua taxa. Em abril, dois fatores pesaram:

  1. Risco de inadimplência: Como mais da metade dos brasileiros começou 2026 com dívidas, os bancos aumentam os juros para compensar o risco de não receberem o pagamento.
  2. Reajustes pontuais: Instituições como o Banco do Brasil e o Bradesco fizeram reajustes significativos em suas taxas máximas (o BB subiu quase 10% em relação ao mês anterior).

O raio-x das taxas em abril

De acordo com o Procon-SP, o cenário atual é este:

  • Menor taxa encontrada: Banco Safra (7,25% ao mês).
  • Maior variação: Banco do Brasil (subiu de 6,72% para 7,39%).
  • Cheque especial: Continua “travado” no teto de 8% ao mês, o que ainda gera uma dívida explosiva de 151,82% ao ano.

Como isso afeta o seu bolso e o seu dia a dia?

Se você está pensando em contratar um empréstimo pessoal de 12 meses, um aumento de 0,14 p.p. na taxa média parece pouco, mas no montante final de uma dívida de R$ 5.000,00, isso pode significar centenas de reais a mais em juros.

O que fazer agora?

  • Fuja do cheque especial: Com o empréstimo pessoal subindo, a tentação de usar o limite da conta aumenta. Não caia nessa. O cheque especial é a linha mais cara e difícil de sair.
  • Troca de dívida: O empréstimo pessoal só vale a pena se for para quitar uma dívida de cartão de crédito rotativo, cujos juros ainda superam os 400% ao ano. Se não for para isso, adie o crédito.
  • Portabilidade: Se você já tem um empréstimo, este é o momento de pesquisar taxas em outros bancos (como o Safra, que apresentou a menor taxa da pesquisa) e pedir a portabilidade de crédito.

O mercado está cauteloso. A tendência para os próximos meses é de que o crédito continue “seletivo”. Isso significa que apenas quem tem bom score conseguirá as taxas mais baixas.

Proteja seu score e evite novas consultas de crédito desnecessárias agora.