A procura por cartões de crédito explodiu no último ano no Brasil, e quem puxou essa fila foi a Geração Z.
Dados recentes mostram um salto de 111% nas solicitações, com jovens de 20 a 29 anos respondendo por mais de um terço de todos os novos pedidos.
É uma mudança clara no comportamento financeiro dessa faixa etária, mas que também traz um novo risco: o endividamento precoce.
O movimento revela como os mais jovens estão usando o cartão para lidar com o custo de vida, complementar a renda e manter o consumo ativo em um cenário econômico apertado.
Mas também indica que esse crédito pode virar uma armadilha quando a fatura consome boa parte do salário.
Por que a Geração Z está pedindo tanto cartão?
A alta procura não é por acaso. Vários fatores se somam e ajudam a explicar a tendência:
- Tudo é digital: fintechs e bancos digitais transformaram o cartão em um produto fácil de obter, sem anuidade e com análise rápida.
- Renda menor e vida mais cara: para muitos jovens, o cartão vira ferramenta para fechar o mês, parcelar compras básicas ou lidar com gastos inesperados.
- Consumo diferente: benefícios como cashback, recompensas e facilidade nas compras online atraem ainda mais esse público.
- Nova percepção sobre crédito: para gerações anteriores, crédito era sinônimo de risco; para os jovens, virou parte natural da rotina financeira.
Essa combinação criou o cenário perfeito para a explosão de pedidos.
O risco por trás desse comportamento
O aumento de demanda por cartões também trouxe indicadores preocupantes. Entre jovens de até 25 anos:
- o gasto médio mensal no cartão é de cerca de R$ 1.250, valor próximo ao salário-mínimo
- a fatura chega a representar 60% da renda em muitos casos
- houve um aumento de 49% nas buscas por renegociação de dívidas só entre janeiro e julho de 2025
Esse é o retrato de uma geração que, ao mesmo tempo que consome mais, também está entrando na vida adulta com mais dívidas, o que pode comprometer planos futuros e até acesso a financiamentos.
Crédito como válvula de escape
O cartão de crédito deixou de ser apenas um meio de pagamento e passou a ser um “fôlego” para quem está começando a vida profissional com salários baixos e despesas crescentes.
Entre os motivos mais comuns para uso do cartão entre jovens estão:
- parcelamento de compras essenciais
- viagens e lazer
- pagamento de contas
- organização financeira
- quitação de dívidas antigas
- pequenos investimentos
Na prática, o cartão acabou assumindo um papel que antes era preenchido por renda extra ou poupança, algo que muitos jovens não têm.
Mercado e governo se movem, mas problema é mais profundo
O impacto desse comportamento chamou atenção de bancos e reguladores. Nos últimos meses:
- instituições financeiras passaram a reforçar modelos de análise de risco voltados para o público jovem
- novos produtos de crédito foram criados com limites mais controlados
- o governo implementou limites para os juros do rotativo, tentando evitar dívidas impagáveis
Apesar disso, especialistas apontam que nenhuma solução técnica substitui o que realmente resolve o problema: educação financeira.
O que a Geração Z pode fazer para evitar a bola de neve
Para os jovens, o cartão pode ser um aliado, desde que usado com consciência. Entre as práticas mais recomendadas:
- acompanhar o limite e a fatura ao longo do mês
- evitar comprometer mais de 30% da renda com cartão
- usar parcelamento apenas quando necessário
- revisar categorias de gastos que mais crescem mês a mês
- comparar cartões e benefícios para evitar custos escondidos
- manter um pequeno fundo de emergência, mesmo que simbólico
A boa notícia é que esse público demonstra disposição para aprender e ajustar hábitos. Com orientação adequada, é possível transformar o cartão em ferramenta de organização financeira e não em fonte de dívidas.
Por que isso importa para o consumidor e para o futuro do crédito no país
A Geração Z já representa uma fatia enorme da economia e deve moldar o mercado financeiro nos próximos anos. O aumento explosivo da demanda por cartões indica:
- novas formas de consumo
- expectativa de serviços mais rápidos e digitais
- maior peso das fintechs no mercado
- necessidade urgente de políticas de prevenção ao endividamento
Para quem está começando a vida adulta, entender a lógica do crédito agora pode fazer toda diferença lá na frente, seja para financiar um imóvel, trocar de carro ou até buscar estabilidade financeira.




