Geração Z dispara pedidos de cartão de crédito e acende alerta para endividamento no Brasil

Jovens de 20 a 29 anos lideram avanço de 111% nas solicitações; especialistas apontam mudanças no consumo e risco crescente de inadimplência

Por: Pamela Gaudio em 09/12/2025
Tempo de Leitura: 4 minutos
Geração Z

A procura por cartões de crédito explodiu no último ano no Brasil, e quem puxou essa fila foi a Geração Z.

Dados recentes mostram um salto de 111% nas solicitações, com jovens de 20 a 29 anos respondendo por mais de um terço de todos os novos pedidos.

É uma mudança clara no comportamento financeiro dessa faixa etária, mas que também traz um novo risco: o endividamento precoce.

O movimento revela como os mais jovens estão usando o cartão para lidar com o custo de vida, complementar a renda e manter o consumo ativo em um cenário econômico apertado.

Mas também indica que esse crédito pode virar uma armadilha quando a fatura consome boa parte do salário.

Por que a Geração Z está pedindo tanto cartão?

A alta procura não é por acaso. Vários fatores se somam e ajudam a explicar a tendência:

  • Tudo é digital: fintechs e bancos digitais transformaram o cartão em um produto fácil de obter, sem anuidade e com análise rápida.
  • Renda menor e vida mais cara: para muitos jovens, o cartão vira ferramenta para fechar o mês, parcelar compras básicas ou lidar com gastos inesperados.
  • Consumo diferente: benefícios como cashback, recompensas e facilidade nas compras online atraem ainda mais esse público.
  • Nova percepção sobre crédito: para gerações anteriores, crédito era sinônimo de risco; para os jovens, virou parte natural da rotina financeira.

Essa combinação criou o cenário perfeito para a explosão de pedidos.

O risco por trás desse comportamento

O aumento de demanda por cartões também trouxe indicadores preocupantes. Entre jovens de até 25 anos:

  • o gasto médio mensal no cartão é de cerca de R$ 1.250, valor próximo ao salário-mínimo
  • a fatura chega a representar 60% da renda em muitos casos
  • houve um aumento de 49% nas buscas por renegociação de dívidas só entre janeiro e julho de 2025

Esse é o retrato de uma geração que, ao mesmo tempo que consome mais, também está entrando na vida adulta com mais dívidas, o que pode comprometer planos futuros e até acesso a financiamentos.

Crédito como válvula de escape

O cartão de crédito deixou de ser apenas um meio de pagamento e passou a ser um “fôlego” para quem está começando a vida profissional com salários baixos e despesas crescentes.

Entre os motivos mais comuns para uso do cartão entre jovens estão:

  • parcelamento de compras essenciais
  • viagens e lazer
  • pagamento de contas
  • organização financeira
  • quitação de dívidas antigas
  • pequenos investimentos

Na prática, o cartão acabou assumindo um papel que antes era preenchido por renda extra ou poupança, algo que muitos jovens não têm.

Mercado e governo se movem, mas problema é mais profundo

O impacto desse comportamento chamou atenção de bancos e reguladores. Nos últimos meses:

  • instituições financeiras passaram a reforçar modelos de análise de risco voltados para o público jovem
  • novos produtos de crédito foram criados com limites mais controlados
  • o governo implementou limites para os juros do rotativo, tentando evitar dívidas impagáveis

Apesar disso, especialistas apontam que nenhuma solução técnica substitui o que realmente resolve o problema: educação financeira.

O que a Geração Z pode fazer para evitar a bola de neve

Para os jovens, o cartão pode ser um aliado, desde que usado com consciência. Entre as práticas mais recomendadas:

  • acompanhar o limite e a fatura ao longo do mês
  • evitar comprometer mais de 30% da renda com cartão
  • usar parcelamento apenas quando necessário
  • revisar categorias de gastos que mais crescem mês a mês
  • comparar cartões e benefícios para evitar custos escondidos
  • manter um pequeno fundo de emergência, mesmo que simbólico

A boa notícia é que esse público demonstra disposição para aprender e ajustar hábitos. Com orientação adequada, é possível transformar o cartão em ferramenta de organização financeira e não em fonte de dívidas.

Por que isso importa para o consumidor e para o futuro do crédito no país

A Geração Z já representa uma fatia enorme da economia e deve moldar o mercado financeiro nos próximos anos. O aumento explosivo da demanda por cartões indica:

  • novas formas de consumo
  • expectativa de serviços mais rápidos e digitais
  • maior peso das fintechs no mercado
  • necessidade urgente de políticas de prevenção ao endividamento

Para quem está começando a vida adulta, entender a lógica do crédito agora pode fazer toda diferença lá na frente, seja para financiar um imóvel, trocar de carro ou até buscar estabilidade financeira.