Quem pensa em trabalhar na aviação costuma ter uma dúvida logo de início: quanto ganha uma aeromoça?
No Brasil, o piso previsto na Convenção Coletiva de Trabalho da aviação regular é de R$2.820,91 para comissários de voo, considerando salário-base e compensação orgânica, após o período de experiência.
Porém, esse valor não representa necessariamente tudo o que o profissional recebe no mês.
Horas de voo, diárias, reservas, sobreavisos, trabalho em domingos e feriados e regras próprias de cada companhia podem fazer a remuneração variar bastante.
Dados do Glassdoor, por exemplo, apontam remuneração total na faixa de aproximadamente R$3 mil a R$7 mil mensais em algumas das maiores companhias brasileiras.
Por isso, para entender o salário de uma aeromoça, é preciso olhar além do salário-base.
Guia do conteúdo
Quanto ganha uma aeromoça no Brasil?
Não existe um único valor que represente quanto ganha uma aeromoça no Brasil.
A Convenção Coletiva de Trabalho da aviação regular 2025/2026 estabelece piso de R$2.820,91, formado pelo salário-base mais a compensação orgânica, para comissários após o período de experiência de até 90 dias.
Já o Glassdoor apresenta um salário-base médio de cerca de R$4 mil por mês para comissários de voo no Brasil, além de remuneração variável.
Os números são diferentes porque medem coisas distintas. O piso da categoria estabelece uma referência mínima dentro das condições previstas na convenção, enquanto as plataformas de salários trabalham com remunerações informadas por profissionais e estimativas.
Na prática, uma referência para entender o mercado é:
Os valores das companhias são estimativas do Glassdoor e não representam uma tabela salarial oficial das empresas.
Quanto ganha uma aeromoça iniciante?
O salário de uma aeromoça iniciante pode ficar mais próximo do piso ou das faixas inferiores praticadas pelas companhias.
É importante não confundir, entretanto, salário-base com o total recebido.
Uma profissional recém-contratada pode receber salário fixo e outras verbas previstas na convenção ou no acordo coletivo da companhia.
A quantidade de horas voadas e a própria escala também influenciam determinados componentes da remuneração.
Quanto ganha uma comissária experiente?
Experiência e progressão na carreira podem elevar os ganhos.
Existem relatos recentes de comissários recebendo valores totais acima das faixas iniciais. Isso pode ocorrer devido ao salário-base maior, remuneração variável, função exercida, escala e outras parcelas.
Profissionais que avançam para posições como chefe de cabine também podem ter remuneração diferente.
Por isso, não existe um “salário máximo de aeromoça” válido para todo o mercado.
Quanto ganha uma aeromoça em voos internacionais?
Trabalhar em voos internacionais não significa automaticamente receber um salário-base completamente diferente.
Em companhias brasileiras, o salário depende das regras da empresa, do acordo coletivo aplicável e da função do profissional. A operação internacional, entretanto, pode trazer diferenças nas diárias e na composição final dos recebimentos.
A CCT da aviação regular estabelece pisos para diárias internacionais de alimentação, com valores diferentes conforme a região.
Para cada refeição principal, são previstos, entre outros valores, US$21 na América do Sul e Caribe, US$23 na América do Norte e México e €23 na Europa.
Isso ajuda a explicar por que dois comissários da mesma companhia podem terminar determinados meses com valores diferentes.
Como é calculado o salário de uma comissária de bordo?
Essa é uma das partes mais importantes para quem quer entender quanto ganha uma aeromoça de verdade.
A remuneração não deve ser analisada apenas como:
salário mensal = salário-base
Na aviação, a conta pode envolver diferentes componentes.
Salário-base e piso da categoria
A atual Convenção Coletiva de Trabalho da aviação regular é válida de 1º de dezembro de 2025 a 30 de novembro de 2026.
Ela estabelece piso de R$2.820,91 para comissário de voo, considerando salário-base e compensação orgânica, após o período de experiência.
Portanto, dizer simplesmente que “o salário mínimo de uma aeromoça é R$2.820,91” não explica toda a regra.
Esse é o piso estabelecido pela CCT nas condições previstas no documento.
Horas de voo e remuneração variável
Outro ponto importante é a quantidade de horas de voo do comissário.
A CCT estabelece remuneração variável por hora de voo que ultrapassar a 54ª hora realizada no mês.
Para comissários, o valor estabelecido é de R$25,46 por hora excedente à 54ª, ressalvadas condições mais favoráveis e particularidades previstas pela própria convenção ou por acordos coletivos.
Imagine, apenas como exemplo didático, uma comissária que registre 70 horas de voo no mês.
Nesse caso, seriam:
70 horas – 54 horas = 16 horas
Usando exclusivamente o valor da CCT como referência:
16 x R$ 25,46 = R$ 407,36
Esses R$407,36 representam somente esse componente variável do exemplo. Não significam que essa será toda a remuneração adicional da profissional.
Compensação orgânica
A compensação orgânica é outro termo que costuma causar confusão.
Pela CCT, 20% da remuneração fixa do aeronauta são identificados como compensação orgânica pelo exercício da atividade aérea.
Isso significa que não se deve simplesmente pegar o piso de R$2.820,91 e acrescentar mais 20% à conta.
O próprio piso divulgado pela convenção já considera salário-base + compensação orgânica.
Trabalho em domingos e feriados
A escala também pode interferir nos ganhos.
Segundo a CCT da aviação regular, ressalvadas empresas que tenham condições diferentes estabelecidas por acordo coletivo, as horas voadas aos domingos e feriados são pagas em dobro.
É mais um motivo pelo qual o holerite pode mudar de um mês para outro.
Reserva e sobreaviso
Os comissários não são remunerados apenas quando estão dentro do avião.
A reserva ocorre quando o tripulante permanece no local de trabalho à disposição da empresa. Pela CCT, essas horas são pagas pelo mesmo valor atribuído à hora de voo normal.
Já no sobreaviso, o profissional fica em local de sua escolha à disposição da companhia e pode ser chamado para uma nova tarefa.
Nesse caso, as horas de sobreaviso são remuneradas à base de 1/3 do valor da hora normal, conforme as regras da convenção.
Diárias de alimentação
As diárias de alimentação na aviação também merecem atenção.
Desde dezembro de 2025, a CCT da aviação regular estabelece o valor de R$109,95 por refeição principal quando a diária é paga diretamente ao aeronauta em território nacional.
Para café da manhã, a diária corresponde a 25% do valor da refeição principal, salvo situações previstas na própria convenção, como quando o café está incluído na hospedagem.
Portanto, a diária de alimentação não deve ser tratada simplesmente como “salário”.
Quanto uma aeromoça recebe no fim do mês?
Não existe uma fórmula capaz de prever o holerite de todos os comissários, porque companhias, escalas e acordos coletivos podem ser diferentes.
Mas podemos fazer uma simulação simplificada para entender a lógica.
Imagine uma comissária enquadrada exatamente nos valores mínimos gerais da CCT, com 70 horas de voo no mês:
A esse exemplo ainda poderiam se somar outras verbas aplicáveis à escala e às regras da empresa.
As diárias também podem aumentar o total financeiro recebido no período, mas precisam ser analisadas separadamente da remuneração salarial.
Por isso, R$3.228,27 não é uma previsão de salário nem um holerite típico. É apenas uma demonstração matemática usando dois componentes previstos na CCT.
Na prática, levantamentos de mercado mostram remunerações totais maiores em diversas companhias.
O que faz uma aeromoça ganhar mais ou menos?
O salário de comissária de bordo pode mudar bastante entre dois profissionais.
Entre os fatores que podem influenciar os ganhos estão:
- Companhia aérea;
- Experiência e senioridade;
- Função dentro da tripulação;
- Número de horas de voo;
- Escala do mês;
- Domingos e feriados trabalhados;
- Reservas e sobreavisos;
- Voos nacionais ou internacionais;
- Diárias;
- Acordo coletivo específico da empresa.
Quanto ganha uma aeromoça na LATAM, GOL e Azul?
Os dados disponíveis no Glassdoor dão uma boa dimensão da diferença entre salário fixo e remuneração total.
Na LATAM, a plataforma apresenta remuneração total estimada de aproximadamente R$3 mil a R$7 mil mensais, com valor mediano em torno de R$6 mil para comissário de voo.
Na GOL, a faixa também aparece em aproximadamente R$3 mil a R$7 mil, com mediana próxima de R$5 mil.
Na Azul, a faixa indicada fica em torno de R$3 mil a R$6 mil, com mediana próxima de R$5 mil.
Esses números devem ser usados como referências, não como promessa de salário.
Quanto ganha uma aeromoça no exterior?
O salário de aeromoça internacional pode chamar atenção quando convertido para reais, especialmente em companhias do Oriente Médio.
Mas a comparação precisa ser feita com cuidado.
Além da moeda, entram na conta impostos, moradia, transporte, custo de vida e benefícios oferecidos pela companhia.
Quanto ganha uma aeromoça na Emirates?
Aqui temos um dos exemplos mais transparentes, porque a própria Emirates publica sua estrutura inicial de remuneração.
Para tripulantes Grade II, que trabalham na classe econômica, a empresa informa:
- Salário-base: AED 4.980 por mês;
- Pagamento por voo: AED 69,60 por hora;
- Média de voo: entre 80 e 100 horas mensais;
- Remuneração média mensal: aproximadamente AED 11.244.
A própria Emirates informa que isso corresponde a aproximadamente US$3.061 mensais.
O pacote inclui ainda hospedagem fornecida pela companhia e transporte entre residência e aeroporto. As diárias de alimentação relativas a pernoites no exterior são pagas separadamente.
Por isso, simplesmente converter AED 11.244 para reais não produz uma comparação justa com um salário CLT brasileiro.
E quanto ganha uma aeromoça na Qatar Airways?
A Qatar Airways não informa um valor salarial atual específico na página oficial de recrutamento consultada.
Por isso, é melhor não apresentar como oficial algum dos vários salários atribuídos à empresa em sites de terceiros.
O que a Qatar confirma é que seus comissários ficam baseados em Doha e contam com acomodação mobiliada fornecida pela companhia, transporte durante o trabalho, seguro médico internacional e benefícios de viagem, entre outras vantagens.
A empresa também já descreveu a remuneração dos tripulantes como competitiva e livre de impostos locais, acompanhada de adicionais e benefícios.
Portanto, para comparar uma proposta da Qatar com um emprego no Brasil, é preciso analisar o pacote completo, e não apenas um suposto salário convertido em reais.
O que faz uma comissária de bordo?
Apesar da imagem da profissão estar muito associada ao atendimento de passageiros, a principal responsabilidade do comissário está ligada à segurança da operação e das pessoas a bordo.
Segundo a ANAC, o titular da licença pode atuar como tripulante de cabine auxiliando o comandante no cumprimento das normas de segurança, além de atender passageiros e executar outras tarefas relacionadas à operação.
Entre as atividades estão procedimentos de segurança, orientação aos passageiros, preparação da cabine, atuação em situações de emergência e atendimento durante o voo.
Aeromoça, comissária de bordo e comissária de voo são a mesma coisa?
Na linguagem cotidiana, sim. “Aeromoça” continua sendo um termo popular utilizado para mulheres que exercem a profissão.
Entretanto, comissário de voo é a denominação usada pela ANAC em sua regulamentação e no processo de licenciamento.
O termo é válido independentemente do gênero.
O que precisa para ser comissária de bordo?
Atualmente, a ANAC não exige curso teórico nem exame teórico para a concessão da licença de comissário de voo.
De acordo com a página oficial da Agência, atualizada em abril de 2026, entre os requisitos estão:
- Ter pelo menos 18 anos;
- Ter concluído o ensino médio;
- Possuir CMA (Certificado Médico Aeronáutico) válido adequado à licença;
- Realizar treinamento inicial conforme programa aprovado pela ANAC;
- Cumprir a experiência em rota exigida;
- Ser aprovado no exame prático;
- Atender aos demais requisitos documentais.
A solicitação inicial da licença é feita pela empresa empregadora por meio do sistema da ANAC.
Precisa fazer faculdade?
Não. Para a licença de comissário de voo, a ANAC exige ensino médio concluído, e não diploma de graduação.
Uma formação superior pode ser um diferencial profissional em determinadas situações, mas não é requisito regulatório para obter a licença.
Precisa falar inglês?
O RBAC 63 estabelece que o candidato deve ser capaz de ler, escrever, falar e compreender português.
O inglês, entretanto, pode ser um importante diferencial em processos seletivos, principalmente para quem pretende trabalhar em rotas internacionais ou empresas estrangeiras.
Na Emirates e na Qatar Airways, por exemplo, o domínio do inglês está entre os requisitos de contratação divulgados pelas próprias companhias.
Quantas horas uma comissária pode voar por mês?
Hora de voo e jornada de trabalho não são a mesma coisa.
A Lei nº 13.475, conhecida como Lei do Aeronauta, estabelece limites mensais e anuais de voo conforme a aeronave.
Em aviões a jato, o limite é de 80 horas de voo por mês e 800 horas por ano.
Em turboélices, são até 85 horas mensais e 850 anuais.
Isso não significa que a comissária trabalhe apenas 80 horas no mês.
Existem períodos em solo, apresentação, treinamentos, reserva, sobreaviso e outras atividades relacionadas ao trabalho.
A CCT da aviação regular também estabelece limite semanal de 44 horas e regras específicas para escalas, repousos e madrugadas.
Como aumentar o salário como comissária de bordo?
A progressão profissional pode aumentar a remuneração ao longo da carreira.
Ganhar experiência, assumir funções superiores na tripulação e desenvolver competências valorizadas pela companhia são caminhos possíveis.
Idiomas também podem ampliar as oportunidades, especialmente para quem pretende disputar vagas internacionais.
Outra possibilidade é concorrer a companhias estrangeiras. Nesse caso, porém, é fundamental avaliar salário, custo de vida, moradia, regras trabalhistas, tributação, benefícios e necessidade de mudança de país.
Ganhar mais em moeda estrangeira não significa necessariamente ter poder de compra proporcionalmente maior.
Vale a pena ser comissária de bordo?
Depende do perfil e dos objetivos profissionais.
A carreira pode ser interessante para quem gosta de aviação, tem facilidade para trabalhar com pessoas, aceita horários irregulares e consegue lidar bem com uma rotina que muda constantemente.
Entre as vantagens estão a possibilidade de viajar, benefícios concedidos pelas companhias e oportunidades de construir carreira na aviação.
Por outro lado, existem desafios importantes.
Voos durante a madrugada, fins de semana e feriados fazem parte da profissão. A escala pode interferir na rotina pessoal, e o trabalho exige preparo físico, atenção constante e responsabilidade com a segurança.
Portanto, a decisão não deve ser tomada apenas pelo salário.



