Valor de pensão para 1 filho: quanto é, como calcular e o que a lei considera

Entenda como funciona a pensão alimentícia para um filho, quais fatores influenciam o valor e o que fazer em caso de atraso ou revisão

Por: Pamela Gaudio em 05/02/2026
Tempo de Leitura: 7 minutos
Valor de pensão para 1 filho

Uma das dúvidas mais comuns depois de uma separação é direta e totalmente compreensível: afinal, qual é o valor de pensão para 1 filho?

E é aqui que muita gente se frustra, porque espera encontrar uma resposta pronta, como “é sempre 30% do salário”. Só que a pensão alimentícia não funciona assim.

Aqui você vai encontrar…

No Brasil, não existe um valor fixo definido por lei. O que existe é um critério usado pela Justiça para chegar a um valor considerado justo: a pensão precisa equilibrar o que a criança precisa com o que o responsável consegue pagar.

Você vai entender como esse cálculo funciona na prática, quais valores costumam aparecer com mais frequência, o que pode aumentar ou diminuir a pensão e quais são os seus direitos (seja você quem paga ou quem recebe).

O que é pensão alimentícia e para que ela serve

A pensão alimentícia é um valor pago para garantir que a criança (ou adolescente) tenha o básico para viver bem. Apesar do nome “alimentícia”, ela não é só para comida.

A pensão existe para cobrir um conjunto de necessidades do dia a dia, como:

  • alimentação
  • moradia
  • escola (mensalidade, material, transporte)
  • plano de saúde, consultas e medicamentos
  • roupas e calçados
  • lazer (dentro do razoável)
  • outras despesas relacionadas ao desenvolvimento da criança
 Ou seja: a pensão é um direito do filho. Não é um “favor”, nem uma ajuda opcional. É uma obrigação legal que tem como objetivo garantir dignidade e estabilidade.

Existe um valor fixo de pensão para 1 filho?

Não. A lei não define um número exato nem um percentual obrigatório. O valor é decidido caso a caso com base no chamado binômio:

necessidade de quem recebe x possibilidade de quem paga

Isso significa que a Justiça avalia dois pontos principais:

  1. Quanto a criança precisa para manter uma vida adequada
  2. Quanto o responsável pode pagar sem comprometer a própria sobrevivência

Por isso, duas famílias com rendas parecidas podem ter valores diferentes de pensão, dependendo das despesas reais da criança e do contexto.

Qual percentual é mais comum na pensão para 1 filho?

Mesmo sem existir regra fixa, na prática muitos casos acabam ficando entre:

20% e 30% da renda líquida de quem paga

Mas atenção: isso não é uma tabela oficial, e sim um padrão que aparece com frequência em decisões judiciais e acordos homologados.

Em alguns casos, pode ser menos do que isso (por exemplo, quando a renda é muito baixa ou quando o responsável já tem outras obrigações comprovadas).

Em outros, pode ser mais (quando a criança tem gastos altos ou quando o padrão de vida anterior era mais elevado).

Como calcular o valor de pensão para 1 filho na prática

Para chegar a um valor aproximado, é importante entender duas coisas:

  • o cálculo normalmente usa a renda líquida (o que sobra depois dos descontos obrigatórios)
  • o juiz pode definir pensão em percentual ou em valor fixo

Exemplo 1: renda líquida de R$1.500

Se a pensão ficar entre 20% e 30%:

  • 20%: R$300
  • 30%: R$450

Exemplo 2: renda líquida de R$2.500

  • 20%: R$500
  • 30%: R$750

Exemplo 3: renda líquida de R$5.000

  • 20%: R$1.000
  • 30%: R$1.500

Esses exemplos ajudam a entender a lógica, mas o valor real pode variar. Principalmente porque a Justiça pode incluir despesas específicas, como plano de saúde, escola e remédios.

O que entra no cálculo da pensão (o que o juiz considera)

A decisão sobre pensão não se baseia só no salário. Em geral, entram na conta:

1) Necessidades do filho

Aqui vale praticamente tudo o que é necessário para a criança viver e se desenvolver bem. Por isso, quem pede pensão costuma apresentar comprovantes como:

  • notas e recibos de mercado
  • mensalidade escolar e lista de material
  • transporte escolar
  • comprovante de plano de saúde
  • despesas médicas e odontológicas
  • gastos com atividades extracurriculares (se forem justificáveis)

Quanto mais organizado estiver esse levantamento, mais fácil é justificar o valor pedido.

2) Possibilidade de quem paga

A Justiça avalia:

  • renda formal (holerite, carteira assinada)
  • renda informal (MEI, autônomo, comissões)
  • padrão de vida
  • despesas essenciais (moradia, alimentação, saúde)
  • existência de outros filhos ou obrigações legais
Um ponto importante: “ter contas” não elimina a obrigação. Mas pode influenciar o valor para que ele não fique impossível de cumprir.

3) Padrão de vida anterior

Se antes da separação a criança vivia com determinado padrão (por exemplo, escola particular, plano de saúde, rotina de atividades), o juiz pode tentar preservar esse nível, desde que seja viável.

Pensão é só em dinheiro?

Nem sempre. Existem casos em que a pensão pode ser:

  • em dinheiro (depósito mensal)
  • mista, quando o responsável paga parte em dinheiro e parte direto nas despesas

Exemplo comum: o pai paga 20% do salário em dinheiro e também paga o plano de saúde.

O ideal é que isso fique formalizado em acordo ou decisão judicial, para evitar confusão depois.

Tem que pagar pensão em guarda compartilhada?

Muita gente acredita que guarda compartilhada elimina a pensão, mas isso não é verdade.

Guarda compartilhada é sobre tomada conjunta de decisões. Já a pensão é sobre contribuição financeira.

Se a renda de um responsável for maior, ele pode ser obrigado a pagar pensão mesmo com guarda compartilhada, justamente para equilibrar o sustento.

Até quando a pensão para 1 filho deve ser paga?

Em geral:

  • até os 18 anos, automaticamente
  • pode continuar após os 18 anos, se o filho ainda depender financeiramente (por exemplo, cursando faculdade)

Não existe uma regra automática de “vai até 24 anos”. O que existe é análise de necessidade. Se o filho maior de idade estuda e não tem como se manter, é comum que a pensão continue por um tempo.

Mas é importante: não é porque fez 18 que para de pagar por conta própria. Se o responsável quiser encerrar a obrigação, precisa pedir isso formalmente.

O valor da pensão pode mudar?

Sim. E isso é muito importante.

A pensão pode ser revisada quando há mudança relevante na realidade da família, como:

  • aumento ou queda de renda de quem paga
  • perda de emprego
  • nascimento de outro filho
  • aumento de despesas da criança (mudança de escola, tratamento médico, etc.)
  • mudança de guarda

Esse processo se chama ação revisional de alimentos.

E vale uma regra prática: se algo mudou de verdade, não espere a situação virar uma bola de neve. O caminho correto é pedir revisão na Justiça e comprovar a mudança.

O que acontece se a pensão atrasar?

Atraso de pensão é assunto sério.

Quem não paga pode sofrer consequências como:

  • cobrança judicial com correção e juros
  • penhora de valores e bens
  • bloqueio de contas
  • protesto em cartório
  • prisão civil em casos previstos por lei

E aqui vai um alerta importante: mesmo que exista conflito entre os pais, a pensão não deve ser usada como “arma”. Ela existe para proteger a criança. Por isso, a Justiça costuma agir com rigor quando há inadimplência.

Dicas para chegar a um valor justo (e evitar briga)

Se a ideia é resolver de forma mais rápida e menos estressante, estas dicas ajudam muito:

  • Faça uma lista realista de gastos mensais do filho
  • Separe comprovantes (isso faz diferença)
  • Seja honesto sobre renda e despesas
  • Evite acordos “de boca”
  • Formalize o acordo (cartório ou Justiça)
  • Se necessário, busque orientação jurídica

O acordo amigável é ótimo, mas precisa ser bem feito. Porque quando o combinado não está documentado, o risco de conflito aumenta muito.

O valor de pensão para 1 filho não é fixo e não existe um percentual obrigatório na lei.

O que a Justiça faz é analisar o equilíbrio entre as necessidades da criança e a capacidade de quem paga, tentando garantir o melhor interesse do menor sem tornar a obrigação impossível de cumprir.

Na prática, é comum que o valor fique entre 20% e 30% da renda líquida, mas tudo depende do caso: renda, despesas, padrão de vida e necessidades específicas.

Se você está tentando entender qual valor faz sentido na sua situação, o melhor caminho é sempre o mesmo: organizar renda e despesas com clareza, porque isso ajuda a construir um pedido mais justo e mais fácil de comprovar.