Esta notícia é um balde de água fria para quem passou os últimos anos colecionando cartões de crédito pretos (os famosos Black e Infinite) para ostentar em salas VIP de aeroportos. Quando a esmola é demais, o santo desconfia. E a “festa do cartão fácil” acaba de ser encerrada pelos grandes bancos.
Os maiores emissores do país decidiram fechar a torneira de benefícios, encarecer as anuidades e exigir gastos astronômicos para liberar o acesso aos lounges. Vamos entender as mudanças práticas e como proteger o seu bolso.
O que mudou nos principais cartões de alta renda?
A combinação de salas VIP superlotadas com a alta do dólar fez a conta não fechar para as instituições financeiras. Veja como o mercado reagiu:
1. Santander (Aperto nas salas VIP)
O banco passou a exigir uma média mínima de gastos nos últimos três meses para liberar os acessos gratuitos a salas VIP via LoungeKey:
- Unique, AAdvantage Black e Smiles Infinite: Exigem gastos acumulados de R$15 mil no trimestre.
- Unlimited: Exige gastos acumulados de R$30 mil no trimestre.
2. Banco do Brasil (Explosão na anuidade)
A partir do dia 13 de julho de 2026, a anuidade do badalado cartão BB Altus vai saltar de R$1.800 para R$4.000 (um aumento de 122%).
- Para zerar a anuidade: Você precisará gastar pelo menos R$40 mil por mês.
3. BRB (O maior tombo do mercado)
O famoso BRB Dux, que por anos foi considerado o melhor cartão do Brasil, aplicou as regras mais duras do ano:
- Anuidade: Subiu 185%, saltando de R$1.680 para absurdos R$4.800 a partir de 17 de julho.
- Isenção: O gasto mensal exigido para não pagar anuidade subiu de R$35 mil para R$50 mil.
- Salas VIP: Para ter direito aos acessos gratuitos, o cliente agora precisa manter uma média de gastos de R$10 mil por mês no trimestre anterior.
A era do “cartão de gaveta” chegou ao fim
Muitos brasileiros usavam uma tática comum: conseguiam um cartão Black em alguma promoção de anuidade zero, guardavam o plástico na gaveta e só tiravam de lá na hora de viajar para comer e beber de graça nos aeroportos.
Com as novas regras, os bancos querem eliminar esses clientes que “só dão prejuízo”. Se o cartão não for o seu meio de pagamento principal do dia a dia, os benefícios simplesmente vão desaparecer.
Vale a pena manter o seu cartão Black ou Infinite?
O cartão deve servir ao seu padrão de vida, e não o contrário. Para decidir se vale a pena continuar com o produto, faça o seguinte cálculo:
(Valor dos Benefícios que você REALMENTE usa) – (Custo da Anuidade) = Resultado
- A armadilha do gasto forçado: Se você precisa gastar R$5.000 a mais por mês em compras supérfluas apenas para atingir a meta de isenção do banco, você está perdendo dinheiro. É muito mais barato pagar os R$200 de uma entrada avulsa na sala VIP no dia da viagem do que se endividar para manter o status do cartão.
- A hora do downgrade: Se o seu banco aumentou a anuidade ou cortou os acessos e você não atinge as novas metas, ligue para o gerente ou para o chat e peça um downgrade (mudar para um cartão de categoria menor, como Platinum ou Gold) que seja gratuito.
O mercado voltou para o mundo real
A farra dos cartões de luxo distribuídos em massa acabou. O mercado financeiro em 2026 está cobrando o preço da exclusividade.
Para o consumidor consciente, isso significa que a estratégia mudou: em vez de acumular vários cartões com benefícios cortados, o ideal agora é focar os seus gastos em uma única instituição onde você consiga negociar taxas melhores e manter um relacionamento real.



