Brasileiros atrasam mais o pagamento de empréstimos, aponta pesquisa da Serasa

Pontualidade cai, juros seguem altos e crédito fica mais restrito, especialmente no Norte e Nordeste

Por: Pamela Gaudio em 20/01/2026
Tempo de Leitura: 3 minutos
brasileiro atrasa pagamentos de empréstimos

Os brasileiros estão encontrando mais dificuldade para manter os pagamentos de empréstimos em dia.

É o que mostra uma pesquisa da Serasa Experian, que aponta queda na pontualidade do pagamento do empréstimo pessoal em todo o país.

No 2º trimestre de 2025, a taxa média de pagamentos em dia caiu para 82,7%, contra 85,2% no mesmo período de 2024.

Os dados foram levantados a partir do Cadastro Positivo, que reúne informações de pagamentos de pessoas físicas e jurídicas.

Endividamento alto e juros elevados pesam no orçamento

O resultado reflete um cenário de maior pressão sobre a renda das famílias.

O contexto ajuda a explicar:

  • 78,9% das famílias brasileiras encerraram o último ano com algum tipo de dívida, segundo a CNC
  • a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006

Com crédito mais caro e renda comprometida, atrasar parcelas se tornou mais comum.

Norte e Nordeste concentram as maiores quedas

A redução na pontualidade do pagamento do empréstimo pessoal foi observada em todas as regiões do país, mas de forma desigual.

  • Norte: queda de 4,0 pontos percentuais
  • Nordeste: recuo de 3,8 p.p.
  • Sudeste: menor impacto, com queda de 1,6 p.p., mantendo índice de 83,7%

Os dados mostram que as regiões historicamente mais vulneráveis ao crédito sentem primeiro os efeitos da alta dos juros e da restrição bancária.

Valor médio dos empréstimos também diminuiu

Além de atrasar mais, os brasileiros também estão tomando empréstimos menores.

O ticket médio do empréstimo pessoal caiu de:

  • R$ 416,24 no 2º trimestre de 2024
  • para R$ 396,49 no mesmo período de 2025

Uma redução nominal de R$19,75.

Segundo a Serasa, essa queda reflete uma postura mais cautelosa dos credores, que passaram a liberar valores menores para reduzir riscos em um cenário de inadimplência crescente.

Diferenças regionais no valor do crédito

A análise por região mostra comportamentos distintos:

  • Centro-Oeste: segue com os maiores tickets médios, apesar de uma queda relevante no período
  • Nordeste: registra os menores valores médios, mas foi a única região a apresentar alta anual, passando de R$ 339,84 para R$ 350,33
  • Sudeste, Sul e Norte: acompanharam o movimento de retração no valor dos empréstimos

O avanço no Nordeste indica uma busca maior por crédito, mesmo em um cenário mais restritivo.

O que esses dados indicam sobre o crédito no Brasil?

O levantamento reforça uma tendência já percebida no mercado:

  • crédito mais caro
  • bancos mais seletivos
  • consumidores mais pressionados
  • maior risco de inadimplência

Para quem precisa de empréstimo, isso significa menos dinheiro disponível, juros elevados e maior atenção dos bancos ao histórico financeiro.

Os dados da Serasa mostram que o crédito no Brasil atravessa um momento delicado.

Com juros altos, renda comprometida e endividamento elevado, mais brasileiros estão atrasando o pagamento de empréstimos, e os bancos já reagiram, reduzindo os valores concedidos.

O cenário exige cautela tanto de quem toma crédito quanto de quem concede.

Para o consumidor, a recomendação é avaliar com cuidado novas dívidas, priorizar a renegociação de pendências e evitar comprometer ainda mais o orçamento em um momento de crédito caro e restrito.