Os brasileiros estão encontrando mais dificuldade para manter os pagamentos de empréstimos em dia.
É o que mostra uma pesquisa da Serasa Experian, que aponta queda na pontualidade do pagamento do empréstimo pessoal em todo o país.
No 2º trimestre de 2025, a taxa média de pagamentos em dia caiu para 82,7%, contra 85,2% no mesmo período de 2024.
Os dados foram levantados a partir do Cadastro Positivo, que reúne informações de pagamentos de pessoas físicas e jurídicas.
Endividamento alto e juros elevados pesam no orçamento
O resultado reflete um cenário de maior pressão sobre a renda das famílias.
O contexto ajuda a explicar:
- 78,9% das famílias brasileiras encerraram o último ano com algum tipo de dívida, segundo a CNC
- a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006
Com crédito mais caro e renda comprometida, atrasar parcelas se tornou mais comum.
Norte e Nordeste concentram as maiores quedas
A redução na pontualidade do pagamento do empréstimo pessoal foi observada em todas as regiões do país, mas de forma desigual.
- Norte: queda de 4,0 pontos percentuais
- Nordeste: recuo de 3,8 p.p.
- Sudeste: menor impacto, com queda de 1,6 p.p., mantendo índice de 83,7%
Os dados mostram que as regiões historicamente mais vulneráveis ao crédito sentem primeiro os efeitos da alta dos juros e da restrição bancária.
Valor médio dos empréstimos também diminuiu
Além de atrasar mais, os brasileiros também estão tomando empréstimos menores.
O ticket médio do empréstimo pessoal caiu de:
- R$ 416,24 no 2º trimestre de 2024
- para R$ 396,49 no mesmo período de 2025
Uma redução nominal de R$19,75.
Segundo a Serasa, essa queda reflete uma postura mais cautelosa dos credores, que passaram a liberar valores menores para reduzir riscos em um cenário de inadimplência crescente.
Diferenças regionais no valor do crédito
A análise por região mostra comportamentos distintos:
- Centro-Oeste: segue com os maiores tickets médios, apesar de uma queda relevante no período
- Nordeste: registra os menores valores médios, mas foi a única região a apresentar alta anual, passando de R$ 339,84 para R$ 350,33
- Sudeste, Sul e Norte: acompanharam o movimento de retração no valor dos empréstimos
O avanço no Nordeste indica uma busca maior por crédito, mesmo em um cenário mais restritivo.
O que esses dados indicam sobre o crédito no Brasil?
O levantamento reforça uma tendência já percebida no mercado:
- crédito mais caro
- bancos mais seletivos
- consumidores mais pressionados
- maior risco de inadimplência
Para quem precisa de empréstimo, isso significa menos dinheiro disponível, juros elevados e maior atenção dos bancos ao histórico financeiro.
Os dados da Serasa mostram que o crédito no Brasil atravessa um momento delicado.
Com juros altos, renda comprometida e endividamento elevado, mais brasileiros estão atrasando o pagamento de empréstimos, e os bancos já reagiram, reduzindo os valores concedidos.
O cenário exige cautela tanto de quem toma crédito quanto de quem concede.
Para o consumidor, a recomendação é avaliar com cuidado novas dívidas, priorizar a renegociação de pendências e evitar comprometer ainda mais o orçamento em um momento de crédito caro e restrito.




