Novas regras do cartão de crédito para 2026: o que muda e como isso afeta sua fatura

Lei que limita os juros do cartão de crédito continua valendo em 2026 e impede que dívidas dobrem sem controle

Por: Pamela Gaudio em 08/01/2026
Tempo de Leitura: 4 minutos
Novas regras do cartão de crédito

As novas regras do cartão de crédito no Brasil continuam diferentes em 2026, e isso é uma boa notícia para quem já sofreu com juros abusivos.

Desde janeiro de 2024, está em vigor a Lei nº 14.690, que trouxe mudanças importantes para o uso do cartão, principalmente no crédito rotativo e no parcelamento da fatura.

A norma, aprovada pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), foi criada para combater o superendividamento e dar mais transparência na relação entre bancos e consumidores.

Na prática, ela impede que uma dívida pequena vire uma “bola de neve” impossível de pagar.

O que muda no cartão de crédito em 2026?

Apesar de muita gente achar que se trata de uma regra nova, as mudanças começaram em 2024 e seguem valendo integralmente em 2026. Veja os principais pontos.

Juros do cartão agora têm limite

A principal mudança é o teto para os juros do crédito rotativo e do parcelamento da fatura.

Antes da nova lei, os juros do cartão podiam ultrapassar 400% ao ano — em alguns casos, chegavam perto de 1.000%. Hoje, isso não é mais permitido.

Com a nova regra:

  • O total da dívida (valor original + juros + encargos) não pode ultrapassar o dobro do valor devido
  • O limite é de 100% sobre a dívida original

Na prática, funciona assim:

  • Se a dívida for de R$100, o valor final não pode passar de R$200
  • Se a fatura for de R$1.000, mesmo com juros, multas e encargos, o total não pode ultrapassar R$2.000

Esse limite continua valendo mesmo que a dívida seja renegociada ou parcelada depois.

Crédito rotativo continua caro, mas não vira mais uma armadilha

O crédito rotativo é acionado quando o cliente não paga o valor total da fatura até o vencimento. Antes, bastava atrasar para os juros começarem a crescer rapidamente.

Agora, embora os juros ainda sejam altos, a dívida não cresce sem limite. O objetivo da lei é justamente acabar com a famosa “bola de neve” do cartão de crédito.

Banco é obrigado a oferecer parcelamento da dívida

Outra mudança importante é que, ao entrar no crédito rotativo, o banco deve apresentar uma opção de parcelamento da fatura, com:

  • prazo definido
  • valor total informado
  • contrato claro e formal da operação

Isso dá mais previsibilidade ao consumidor, que passa a saber exatamente quanto vai pagar e por quanto tempo.

Portabilidade da dívida do cartão de crédito

Desde 2024, o consumidor também ganhou o direito à portabilidade da dívida do cartão.

Isso significa que é possível:

  • transferir a dívida para outro banco
  • buscar juros menores e prazos melhores
  • fazer a migração sem custo, caso a proposta original não seja aceita

O banco atual pode até fazer uma contraproposta, mas não pode impedir a transferência.

Fatura do cartão mais clara e organizada

As novas regras do cartão de crédito também exigem mais transparência na fatura do cartão de crédito. Agora, ela deve ser organizada em três partes:

  • Área de destaque: valor total da fatura, data de vencimento e limite do cartão
  • Alternativas de pagamento: informações claras sobre rotativo e parcelamento, com juros e encargos
  • Informações complementares: compras, parcelas e outros detalhes

Além disso, ao contratar um cartão, o cliente deve receber pelo menos três opções de data de vencimento, com intervalo mínimo de 7 dias entre elas.

Comunicações mais claras com o cliente

Os bancos também são obrigados a melhorar a comunicação com os clientes. Entre as exigências estão:

  • Avisar sobre o vencimento da fatura com pelo menos 2 dias de antecedência
  • Informar sobre atraso e consequências um dia após o vencimento
  • Notificar o cliente quando a fatura for parcelada
  • Avisar com pelo menos 30 dias antes sobre cobrança de anuidade
  • Solicitar consentimento do cliente para aumento de limite

Refinanciamento do saldo total do cartão

Uma novidade mais recente é o refinanciamento do saldo total da dívida, que permite unificar valores em aberto e vencidos em um único parcelamento.

Esse modelo não é obrigatório por lei. Cada banco decide se vai oferecer ou não, e cabe ao consumidor avaliar se vale a pena contratar.

Por que essas regras são tão importantes?

Mesmo com o limite de juros, o cartão de crédito continua sendo uma das formas de crédito mais caras do país. Dados do Banco Central mostram que as taxas médias seguem elevadas.

A diferença é que agora:

  • a dívida não explode sem controle
  • o consumidor tem mais previsibilidade
  • abusos ficam mais difíceis
  • fica mais fácil planejar a saída do endividamento

O que o consumidor deve fazer na prática?

Especialistas recomendam:

  • pagar o máximo possível da fatura
  • evitar entrar no crédito rotativo
  • negociar o parcelamento o quanto antes, se necessário
  • guardar contratos, comprovantes e extratos
  • reclamar no Procon ou no consumidor.gov em caso de cobrança abusiva

A lei não elimina os juros altos, mas protege contra excessos e dá mais poder de negociação ao consumidor.