Quem assume a dívida de um carro financiado em nome de um falecido?

Entenda quem fica responsável pelo financiamento do carro após a morte do titular, como funciona o inventário e o que acontece se parar de pagar

Por: Pamela Gaudio em 09/01/2026
Tempo de Leitura: 4 minutos
Quem assume a dívida de um carro financiado em nome de um falecido

Quando uma pessoa falece deixando um carro financiado, é comum surgir a dúvida: quem assume essa dívida?

O financiamento continua existindo? A família precisa pagar? O banco pode tomar o carro?

Essa é uma situação delicada e bastante comum no Brasil, especialmente porque muitos veículos são comprados a prazo. A boa notícia é que a dívida não “passa automaticamente” para um familiar, mas também não desaparece.

A dívida do carro passa para os herdeiros?

Não. A dívida não passa diretamente para os herdeiros, como se eles fossem obrigados a assumir o financiamento com o próprio dinheiro.

Na prática, o que acontece é o seguinte:

  • a dívida fica vinculada ao espólio, que é o conjunto de bens, direitos e obrigações deixados pela pessoa falecida;
  • o pagamento do financiamento deve sair do patrimônio deixado, e não do bolso pessoal dos herdeiros.
Ou seja, os herdeiros não herdam a dívida, mas o bem financiado (o carro) só pode ser transferido se as obrigações forem resolvidas.

O que acontece com o financiamento do carro após a morte do titular?

Após o falecimento, o financiamento não é automaticamente cancelado. As parcelas continuam vencendo normalmente.

A família ou o inventariante pode optar por alguns caminhos:

  • continuar pagando o financiamento até o fim;
  • quitar o saldo devedor;
  • vender o veículo para pagar a dívida;
  • ou permitir que o banco retome o carro.

Tudo isso costuma ser tratado dentro do processo de inventário.

O carro financiado entra no inventário?

Sim. O carro entra no inventário, mesmo que ainda esteja financiado.

Nesse caso:

  • o bem é listado pelo valor de mercado;
  • a dívida do financiamento também é registrada;
  • o que importa é o valor líquido (valor do carro menos o saldo devedor).

Se o carro valer menos do que a dívida, isso também precisa constar no inventário.

Quem paga as parcelas durante o inventário?

Enquanto o inventário está em andamento, alguém precisa decidir o que fazer com o carro.

Normalmente, as parcelas podem ser:

  • pagas com recursos do próprio espólio;
  • pagas provisoriamente por um herdeiro (com posterior compensação);
  • ou simplesmente não pagas, caso a família decida não manter o veículo.

Se ninguém pagar, o financiamento entra em atraso, o que pode gerar juros, multa e até a busca e apreensão do carro.

O banco pode tomar o carro se parar de pagar?

Sim. Se as parcelas do financiamento não forem pagas, o banco pode:

  • cobrar os valores em atraso;
  • aplicar juros e multa;
  • e, em último caso, retomar o veículo, já que ele costuma ser dado como garantia no contrato.

Isso pode acontecer mesmo após o falecimento do titular, já que o contrato continua válido até que a situação seja resolvida.

Existe seguro que quita o financiamento em caso de morte?

Em alguns financiamentos, existe um seguro prestamista, que pode quitar total ou parcialmente a dívida em caso de morte do titular.

Por isso, é fundamental:

  • verificar o contrato do financiamento;
  • confirmar se há seguro prestamista;
  • entender as condições de cobertura.

Se o seguro existir e for válido, o financiamento pode ser quitado, e o carro passa a integrar o inventário sem dívida.

Vale a pena continuar pagando o carro financiado?

Depende. A decisão precisa levar em conta alguns pontos importantes:

  • o valor atual do carro;
  • o saldo devedor do financiamento;
  • a situação financeira dos herdeiros;
  • se o veículo é necessário para a família;
  • se existe ou não seguro que cubra a dívida.
Em alguns casos, manter o carro faz sentido. Em outros, devolver ou vender o veículo pode ser a decisão mais racional.

 E se os herdeiros não quiserem o carro?

Se os herdeiros não tiverem interesse no veículo, eles não são obrigados a assumir o financiamento.

Nessa situação:

  • o carro pode ser devolvido ao banco;
  • a dívida é encerrada com a retomada do bem;
  • se o valor do carro não cobrir a dívida, isso é tratado dentro do espólio, sem atingir o patrimônio pessoal dos herdeiros.

Perguntas frequentes

Herdeiro é obrigado a pagar a dívida do carro?

Não. A dívida deve ser paga com os bens do espólio, não com o dinheiro pessoal do herdeiro.

O nome do falecido pode ficar negativado?

O CPF do falecido pode constar como inadimplente, mas isso não afeta o CPF dos herdeiros.

Dá para transferir o financiamento para outro nome?

Em alguns casos, sim, mas isso depende da aprovação do banco e da análise de crédito do
novo titular.

Quando uma pessoa falece deixando um carro financiado, a dívida não desaparece, mas também não é automaticamente transferida para os herdeiros.

O financiamento passa a ser uma obrigação do espólio, e a família precisa decidir, durante o inventário, se vale a pena manter, quitar, vender ou devolver o veículo.

Avaliar o contrato, verificar a existência de seguro e analisar o custo-benefício são passos essenciais para tomar a melhor decisão.