Toda vez que mexem no Imposto de Renda, aparece um combo clássico nas redes: um monte de gente tentando entender o que muda e, no meio disso, um boato gigante correndo solto.
Começou a valer a isenção do IR para quem ganha até R$5 mil por mês e, como muita gente ouviu “5 mil” e juntou as peças errado, voltou a circular a história de que “Pix acima de R$5 mil vai pagar imposto”.
Não existe imposto de renda em cima do Pix
Pix não é renda. Pix é meio de pagamento. É como se fosse um “caminho” para o dinheiro passar de um lado para o outro.
O Imposto de Renda, como o próprio nome diz, olha para a renda. Ou seja, o que você ganha. Salário, aposentadoria, prestação de serviço, lucro, essas coisas.
Então não importa se você fez um Pix de R$50, R$5 mil ou R$15 mil: não existe uma cobrança de IR só porque você transferiu dinheiro.
O que deixa as pessoas inseguras é outra coisa: quando alguém recebe valores altos com frequência e não consegue explicar a origem, isso pode chamar atenção em cruzamento de dados.
Mas isso não é “taxa do Pix”. É só fiscalização em cima de renda que deveria ter sido declarada.
Pensa assim: o Pix não cria imposto. O que pode existir é imposto sobre dinheiro que entrou como renda e não foi declarado direito. São assuntos diferentes.
E o que mudou no Imposto de Renda, então?
Aqui sim tem mudança real.
A nova regra do IR entrou em vigor em 2026 e começou a aparecer no bolso de quem recebe salário agora. Na prática, muita gente vai olhar o contracheque e perceber que o desconto do Imposto de Renda ficou menor ou até zerou.
Quem fica com IR zero
Quem ganha até R$5 mil por mês fica totalmente isento do Imposto de Renda.
Isso vale para trabalhador CLT, servidor público, aposentado e pensionista. E também entra na conta o 13º salário.
Quem ainda paga, mas pode pagar menos
Para quem ganha acima de R$5 mil, existe uma redução gradual do imposto até um limite de renda mensal. Depois disso, volta a lógica normal da tabela progressiva.
Ou seja, não é que todo mundo acima de R$5 mil vai pagar igual. A mudança foi desenhada para ir diminuindo o benefício conforme a renda sobe.
O que fazer na prática para não ficar na dúvida
- Olhe seu contracheque de fevereiro com calma. Compare com o de janeiro ou com um mês do ano passado. Veja se o desconto de IR mudou.
- Se você é CLT ou servidor, a atualização costuma ser automática na folha. Mesmo assim, erro acontece, então vale conferir.
- Se você tem renda variável ou mais de uma fonte de renda, a conversa muda um pouco. Pode ser que o desconto mensal diminua, mas na declaração anual você ainda tenha ajustes, dependendo do conjunto total de rendimentos.
E aqui entra um ponto importante, que muita gente esquece: reduzir desconto na folha não significa que você nunca mais vai declarar IR.
Uma coisa é imposto retido mensalmente. Outra é a obrigação de declarar, que depende de regras próprias.
E quem vai pagar mais imposto com esse novo desenho?
Para compensar a renúncia de arrecadação, a mudança também apertou mais para quem está lá em cima, com renda muito alta.
A ideia é aumentar a cobrança para alta renda e alcançar parte de quem recebe valores elevados, inclusive via lucros e dividendos. Essa é a contrapartida que entrou no pacote.




