Como o Imposto de Renda é calculado: passo a passo com as regras de 2026

Entenda a tabela progressiva, o redutor de 2026 e calcule o seu imposto

Por: em 14/10/2026
Tempo de Leitura: 11 minutos
um homem analisando papéis e aprendendo Como o Imposto de Renda é calculado

Entender como o Imposto de Renda é calculado é mais simples do que parece: você parte do salário bruto, desconta as deduções permitidas (ou o desconto simplificado) e chega à base de cálculo. Depois, aplica a alíquota da faixa na tabela progressiva e subtrai a parcela a deduzir.

Desde janeiro de 2026, ainda entra um redutor que zera o imposto de quem ganha até R$ 5 mil por mês e diminui a cobrança para quem recebe até R$ 7.350.

Parece muita coisa? Calma! Neste guia do Plusdin, você vai ver cada etapa com exemplos de salários reais, descobrir quanto paga de verdade e entender como a conta fecha na declaração anual.

O que entra na conta do Imposto de Renda

Antes de fazer qualquer conta, vale saber sobre qual dinheiro o imposto incide. Afinal, nem tudo o que você recebe passa pela mesma regra.

Os rendimentos tributáveis são a base de tudo. Entram aqui o salário de quem trabalha com carteira assinada, o pró-labore de sócios de empresas, aposentadorias, aluguéis recebidos e o dinheiro de trabalhos como autônomo.

Por outro lado, existem os rendimentos isentos, que não pagam imposto. Um exemplo é a parcela de até R$ 1.903,98 por mês da aposentadoria de quem tem mais de 65 anos.

Há ainda os valores com tributação exclusiva, que têm uma conta própria e não se misturam ao salário. É o caso do 13º, da PLR (participação nos lucros) e dos investimentos em renda fixa, como CDB e Tesouro Direto.

Também vale conhecer duas siglas que aparecem muito por aí:

  • IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte): é o desconto que a empresa faz todo mês no seu holerite;
  • IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física): é o acerto de contas anual, feito na declaração.

Ou seja, o desconto mensal funciona como uma antecipação. Na declaração, a Receita Federal confere se você pagou o valor certo no ano. Se algum termo deixar dúvida, o glossário do Imposto de Renda do Plusdin ajuda bastante.

Como o Imposto de Renda é calculado em 5 passos

Agora vamos à parte prática. A seguir, você confere como o Imposto de Renda é calculado no desconto mensal do salário, que é a conta feita pela empresa todos os meses. Pegue o seu holerite e acompanhe!

Passo 1: identifique o rendimento bruto do mês

O ponto de partida é o salário bruto, ou seja, o valor antes de qualquer desconto. Muita gente erra logo aqui ao usar o salário líquido, que já veio com o INSS e o próprio imposto abatidos.

Passo 2: desconte as deduções ou o desconto simplificado

Em seguida, você subtrai as deduções permitidas por lei. No cálculo mensal, entram a contribuição ao INSS, R$ 189,59 por dependente e a pensão alimentícia definida pela Justiça.

Existe ainda uma alternativa: o desconto simplificado mensal de R$ 607,20. Ele substitui todas as deduções e dispensa comprovantes.

A boa notícia é que você não precisa escolher, porque a empresa aplica automaticamente a opção que deixa o imposto menor.

O resultado dessa subtração é a base de cálculo. Quer conferir quanto foi descontado de INSS? O app Meu INSS mostra o histórico das suas contribuições.

Passo 3: encontre a sua faixa na tabela progressiva

Com a base de cálculo em mãos, é hora de consultar a tabela mensal da Receita Federal, que vale desde janeiro de 2026:

Base de cálculo mensalAlíquota e parcela a deduzir
Até R$ 2.428,80Isento
De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,657,5% e R$ 182,16
De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,0515% e R$ 394,16
De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,6822,5% e R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,6827,5% e R$ 908,73

Passo 4: aplique a alíquota e subtraia a parcela a deduzir

A fórmula é sempre a mesma: (base de cálculo × alíquota) − parcela a deduzir. O resultado é o imposto pela tabela.

Agora, um mito que precisa cair: quem está na faixa de 27,5% não paga 27,5% sobre o salário inteiro.

Na prática, cada pedaço da renda é tributado pela alíquota da sua própria faixa. A parcela a deduzir existe justamente para fazer esse ajuste de forma rápida, sem que você precise calcular faixa por faixa.

Passo 5: aplique o redutor criado em 2026

Aqui está a grande novidade. A Lei nº 15.270/2025 não mudou a tabela, mas criou um desconto extra sobre o imposto calculado. Veja como ele funciona:

Salário bruto mensalRedução do imposto
Até R$ 5.000,00Até R$ 312,89 (zera o imposto)
De R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00R$ 978,62 − (0,133145 × salário bruto)
Acima de R$ 7.350,00Sem redução

Fique de olho em um detalhe importante: o redutor usa o salário bruto, e não a base de cálculo. Além disso, ele nunca deixa o imposto negativo. Na pior das hipóteses, o imposto chega a zero.

Exemplos práticos: quanto de IR sai do seu salário

Teoria é bom, mas número na tela é melhor ainda, não é? Os exemplos abaixo seguem os casos que a própria Receita Federal publicou para explicar a nova regra:

Salário brutoImposto final no mês
R$ 4.000,00R$ 0,00
R$ 5.000,00R$ 0,00
R$ 6.000,00R$ 382,88
R$ 7.607,20R$ 1.016,27

Repare que quem ganha R$ 4.000 teria R$ 114,76 de imposto pela tabela, e quem ganha R$ 5.000 teria R$ 312,89. Nos dois casos, porém, o redutor apaga a cobrança por completo.

Agora vamos destrinchar o caso de R$ 6.000, que é o mais interessante. Nesse salário, o INSS é de R$ 649,60, valor maior do que o desconto simplificado. Por isso, a empresa usa o INSS como dedução, e a base de cálculo fica em R$ 5.350,40.

Essa base cai na faixa de 27,5%. Então, a conta fica assim: R$ 5.350,40 × 27,5% = R$ 1.471,36. Depois, tiramos a parcela a deduzir de R$ 908,73 e chegamos a R$ 562,63 de imposto pela tabela.

Por fim, entra o redutor: R$ 978,62 − (0,133145 × R$ 6.000) = R$ 179,75. Assim, o imposto final cai para R$ 382,88 por mês.

Já no salário de R$ 7.607,20, a renda passa do limite de R$ 7.350. Portanto, não existe redução, e vale o valor cheio da tabela.

Alíquota nominal x alíquota efetiva: quanto você paga de verdade

Lembra da pessoa que ganha R$ 6.000 e está na faixa de 27,5%? Essa é a alíquota nominal, ou seja, a da faixa da tabela.

No entanto, o que pesa no bolso é a alíquota efetiva, que é o imposto final dividido pelo salário bruto. No exemplo, R$ 382,88 divididos por R$ 6.000 dão cerca de 6,4%.

Bem menos assustador, concorda? Mesmo no salário de R$ 7.607,20, sem redutor, a alíquota efetiva fica perto de 13,4%.

Como funciona o cálculo na declaração anual

O desconto mensal é só metade da história. Todo ano, a declaração faz um grande acerto de contas com tudo o que você recebeu e pagou. Entender essa etapa ajuda a saber como o Imposto de Renda é calculado do começo ao fim.

Tabela anual e redutor da declaração de 2027

A lógica é a mesma do cálculo mensal, mas com valores do ano inteiro. Esta é a tabela que vale para os rendimentos de 2026, que serão declarados em 2027:

Base de cálculo anualAlíquota e parcela a deduzir
Até R$ 29.145,60Isento
De R$ 29.145,61 a R$ 33.919,807,5% e R$ 2.185,92
De R$ 33.919,81 a R$ 45.012,6015% e R$ 4.729,91
De R$ 45.012,61 a R$ 55.976,1622,5% e R$ 8.105,85
Acima de R$ 55.976,1627,5% e R$ 10.904,66

Também existe um redutor anual. Quem teve até R$ 60 mil de rendimentos tributáveis no ano fica com o imposto zerado. Entre R$ 60 mil e R$ 88,2 mil, a redução é parcial e diminui conforme a renda sobe.

Atenção a um detalhe de calendário: essas regras só aparecem na declaração entregue em 2027. A declaração de 2026, que terminou em maio, ainda seguiu as regras antigas.

Declaração completa ou simplificada

Na declaração, você também escolhe entre dois modelos. No modelo simplificado, o programa aplica um desconto automático de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a R$ 17.640.

Já no modelo completo, você informa as despesas que a lei permite abater. Gastos com saúde não têm limite, e a educação pode ser deduzida em até R$ 3.561,50 por pessoa. Cada dependente vale R$ 2.275,08, e a pensão alimentícia judicial entra por inteiro.

Quem investe em previdência privada do tipo PGBL, oferecida por instituições como Bradesco e Itaú, pode abater até 12% da renda tributável. Para facilitar a vida, o programa da Receita Federal compara os dois modelos e mostra qual é mais vantajoso.

Imposto a pagar ou restituição

No final, a Receita compara o imposto devido no ano com o que já foi descontado no holerite.

Se você pagou a mais, recebe a restituição, que pode cair na conta por Pix com a chave CPF, seja no Banco do Brasil, na Caixa ou em um banco digital como o Nubank. Se pagou a menos, precisa quitar a diferença.

Agora, um alerta importante para quem tem mais de uma fonte de renda. Imagine alguém que recebe R$ 4.000 de uma empresa e R$ 3.600 de outra. Como o redutor mensal olha cada pagamento separadamente, nenhuma das duas empresas desconta imposto.

Só que, somando tudo, essa pessoa ganha R$ 7.600 por mês, ou R$ 91.200 no ano. Esse valor passa de R$ 88,2 mil, então não há redutor anual, e o imposto aparece de uma vez na declaração de 2027.

Vale guardar uma reserva para não ser pego de surpresa. O guia de Imposto de Renda do Plusdin traz mais detalhes sobre a declaração.

Erros comuns ao calcular o Imposto de Renda

Mesmo com o passo a passo em mãos, alguns deslizes aparecem com frequência. Por isso, vale revisar esta lista antes de bater o martelo sobre o seu imposto:

  • Usar tabelas desatualizadas: muitos sites ainda mostram parcelas a deduzir de anos anteriores;
  • Aplicar a alíquota sobre o salário inteiro: lembre-se da parcela a deduzir;
  • Usar a base de cálculo no redutor: a redução considera o salário bruto;
  • Esquecer de somar todas as rendas: o acerto anual junta todas as fontes;
  • Achar que a isenção vale para tudo: investimentos e alguns rendimentos têm regras próprias.

Se evitar esses tropeços, você já estará à frente da maioria das pessoas na hora de conferir o holerite.

Perguntas frequentes

1. Quem ganha até R$ 5 mil paga Imposto de Renda em 2026?

Não. Desde janeiro de 2026, o redutor criado pela Lei nº 15.270/2025 zera o imposto retido de quem recebe até R$ 5 mil por mês. A regra vale para cada pagamento, então quem tem mais de uma renda pode ter imposto a pagar na declaração.

2. Qual é a alíquota máxima do Imposto de Renda?

A alíquota máxima da tabela progressiva é de 27,5%. Ela vale para a parte da base de cálculo mensal acima de R$ 4.664,68. Graças à parcela a deduzir, a alíquota efetiva fica sempre abaixo desse percentual.

3. O 13º salário tem desconto de Imposto de Renda?

Sim. O décimo terceiro salário tem tributação exclusiva na fonte, calculada separadamente do salário do mês. Segundo a Receita Federal, o redutor de 2026 também vale para o cálculo do imposto sobre o 13º.

4. A isenção até R$ 5 mil vale para investimentos?

Não. Aplicações de renda fixa, como CDB e Tesouro Direto, seguem uma tabela própria, com alíquotas de 22,5% a 15% conforme o prazo. Nesse caso, o imposto costuma ser retido pela própria instituição financeira no resgate.

5. Quando as novas regras aparecem na declaração?

O desconto mensal mudou em janeiro de 2026. Já a declaração anual com as novas regras será entregue em 2027, referente aos rendimentos de 2026. A declaração de 2026 ainda seguiu as regras antigas.

6. Onde simular o cálculo do Imposto de Renda?

A Receita Federal oferece um simulador gratuito do IRPF no próprio site. Na época da declaração, o aplicativo Meu Imposto de Renda também mostra o resultado em tempo real enquanto você preenche os dados.

Saber calcular o seu IR evita sustos na declaração

Agora você já sabe como o Imposto de Renda é calculado: base de cálculo, tabela progressiva, parcela a deduzir e, desde 2026, o redutor que protege quem ganha até R$ 5 mil.

Com esses cinco passos, fica fácil conferir se o desconto do seu holerite está certo. Que tal pegar o último contracheque e refazer a conta agora mesmo?

Aproveite também para separar os comprovantes de saúde e educação, porque eles fazem diferença na declaração de 2027.

E, para continuar tomando decisões mais seguras com o seu dinheiro, siga acompanhando os guias do Plusdin.