Por isso, olhar somente para a taxa de juros anunciada pode levar a uma escolha ruim. Uma proposta com juros menores pode ter um CET maior se incluir tarifas ou seguros mais caros.
Saber identificar e comparar esse indicador ajuda a escolher um crédito que pese menos no orçamento. Entenda como ele funciona.
Guia do conteúdo
O que é Custo Efetivo Total (CET)?
O Custo Efetivo Total é uma taxa que representa todos os encargos e despesas de uma operação de crédito na data do cálculo.
Ele é apresentado como uma taxa percentual anual, mesmo quando as parcelas e os juros são mensais. A instituição também deve informar o valor de cada componente usado no cálculo e a soma das parcelas previstas.
Na prática, o CET responde a uma pergunta simples: considerando juros e demais cobranças, qual é o custo real deste crédito?
É importante não confundir o indicador com uma tarifa adicional. O CET não é uma cobrança separada. Ele é uma forma padronizada de apresentar o conjunto de custos do empréstimo ou financiamento.
Para que serve o CET no planejamento financeiro?
O CET facilita a comparação entre propostas de bancos e financeiras. Ele mostra se uma oferta anunciada com juros baixos continua vantajosa depois da inclusão dos outros encargos.
Ao analisar o indicador, o consumidor consegue:
- Comparar propostas com mais clareza;
- Identificar despesas além dos juros;
- Verificar quanto será efetivamente liberado;
- Conhecer a soma das parcelas;
- Avaliar o impacto do crédito no orçamento;
- Evitar escolher uma oferta apenas pela propaganda.
Para que a comparação funcione, as propostas precisam ter o mesmo valor líquido liberado, prazo semelhante e condições equivalentes.
A instituição é obrigada a informar o CET?
Sim. De acordo com a Resolução CMN nº 4.881, a instituição financeira deve informar o CET e apresentar o demonstrativo de cálculo antes da contratação.
O documento deve detalhar os valores envolvidos, os percentuais de cada componente e a soma das parcelas. Se o crédito for contratado, o demonstrativo precisa aparecer de forma destacada no contrato.
A instituição também deve apresentar o CET na publicidade de uma operação quando divulgar a respectiva taxa de juros.
A norma vigente é a Resolução CMN nº 4.881, de 2020. Ela substituiu regras anteriores, incluindo a Resolução nº 3.517, frequentemente citada em conteúdos antigos sobre o assunto.
Como funciona o Custo Efetivo Total?
O CET considera o dinheiro que o cliente recebe e todos os pagamentos previstos ao longo do contrato.
Isso inclui tanto as parcelas mensais quanto as despesas cobradas no início ou durante a operação. O cálculo também considera as datas em que o crédito é liberado e os pagamentos são realizados.
Por esse motivo, calcular o CET não significa apenas somar juros, tarifas e impostos. É preciso considerar o fluxo financeiro da operação, isto é, quando cada valor entra ou sai.
O que inclui o CET?
Segundo a regulamentação do Banco Central, o cálculo pode incluir:
- Taxa de juros do empréstimo ou financiamento;
- Amortização do valor contratado;
- IOF, quando aplicável;
- Tarifas vinculadas à operação;
- Seguros cobrados no contrato;
- Despesas com serviços de terceiros;
- Outros encargos relacionados à concessão do crédito.
Uma despesa vinculada à contratação deve ser considerada mesmo quando é paga separadamente e não entra no saldo financiado.
Isso faz diferença, por exemplo, quando uma pessoa solicita R$10 mil, mas recebe menos porque parte do dinheiro é descontada para pagar tarifas ou outros encargos.
O que pode ficar fora do cálculo?
Taxas flutuantes, índices de preços e outros referenciais que mudam durante o contrato não entram no cálculo como se fossem valores fixos.
Esses indicadores, porém, devem ser apresentados no demonstrativo entregue ao consumidor.
Em um financiamento imobiliário corrigido por algum índice, por exemplo, o CET informado na contratação não consegue antecipar toda a variação futura.
Por isso, além de conferir o CET, é necessário verificar se existe algum indexador, taxa variável ou despesa que possa mudar ao longo do contrato.
Por que os juros não mostram o custo real?
A taxa de juros representa apenas uma parte da operação. Ela informa quanto a instituição cobra pela disponibilização do dinheiro, mas não revela sozinha impostos, tarifas, seguros e outras despesas.
Imagine duas propostas com juros de 2% ao mês. Uma não cobra nenhuma tarifa adicional, enquanto a outra inclui R$900 em despesas. Mesmo com juros iguais, os custos finais serão diferentes.
O CET reúne essas informações em um único percentual e torna a comparação mais objetiva.
Diferença entre taxa de juros, CET e valor total pago
Embora estejam relacionados, esses três dados não têm o mesmo significado:
O CET costuma ser o melhor indicador para comparar propostas, mas o valor total pago também deve ser observado. Ele ajuda a visualizar o custo em reais, enquanto a taxa anual permite comparar operações de forma padronizada.
Como calcular o Custo Efetivo Total?
O cálculo oficial considera o valor efetivamente disponibilizado, os pagamentos previstos e o intervalo, em dias, entre a liberação do dinheiro e cada cobrança.
De maneira simplificada, o processo segue estas etapas:
- Identificar quanto será efetivamente liberado ao cliente;
- Levantar juros, impostos, tarifas, seguros e outros encargos;
- Registrar o valor e a data de cada parcela;
- Organizar todas as entradas e saídas do contrato;
- Encontrar a taxa anual equivalente desse fluxo financeiro.
Como o cálculo envolve datas e equivalência de taxas, não basta somar os percentuais nem multiplicar a taxa mensal por 12. A instituição é responsável por fornecer o resultado e o demonstrativo.
Uma planilha financeira também pode calcular o CET por meio de funções de fluxo de caixa, desde que sejam inseridos todos os valores e suas respectivas datas.
Exemplo comparativo de empréstimos usando o CET
Considere duas propostas hipotéticas para receber R$10 mil, com pagamento em 12 meses e parcelas calculadas pelo sistema de prestações fixas.
Na primeira, os juros são menores, mas R$900 em tarifas e seguro são incorporados ao saldo financiado. Na segunda, a taxa é maior, porém não existem cobranças adicionais.
Os números são ilustrativos e não representam uma oferta comercial. Ainda assim, demonstram como o CET muda a decisão.
A Proposta A anuncia juros menores, mas apresenta parcela, total pago e CET maiores. Nesse cenário, a Proposta B é mais barata mesmo cobrando uma taxa nominal superior.
Tabela CET financiamento: como comparar propostas
Para montar uma tabela CET financiamento, solicite simulações com o mesmo valor de entrada, valor financiado e prazo.
Depois, anote os dados principais:
Nesse exemplo, não seria correto escolher imediatamente a Instituição C por apresentar o menor CET.
Ela libera um valor líquido diferente. Antes da decisão, seria necessário solicitar uma nova simulação com os mesmos R$30 mil das demais propostas.
Como o CET se aplica a diferentes tipos de crédito?
O princípio do CET é o mesmo, mas as despesas variam conforme o produto contratado.
CET no financiamento imobiliário
No financiamento imobiliário, o cálculo pode incluir juros, tarifas, seguros previstos no contrato e outras despesas vinculadas à operação.
Também é necessário conferir o sistema de amortização, o prazo e a existência de índices que atualizam o saldo.
Como alguns referenciais podem variar, o CET calculado na contratação não representa necessariamente tudo o que será pago no futuro.
Custos externos que não sejam cobrados pela instituição como parte da operação devem ser analisados separadamente.
CET no financiamento de veículos
No financiamento de veículos, o consumidor deve conferir se existem tarifa de cadastro, seguro, registro do contrato e outros serviços incorporados à dívida.
Concessionárias podem destacar o valor da parcela ou anunciar uma taxa promocional. Porém, a comparação deve considerar o preço do veículo, a entrada, o prazo, o CET e a soma de todos os pagamentos.
CET no empréstimo pessoal
No empréstimo pessoal, o CET pode ser bem maior que a taxa de juros anunciada quando há IOF, seguro ou tarifas vinculadas à contratação.
Antes de aceitar a proposta, confira também se o valor exibido na simulação corresponde ao montante solicitado ou ao dinheiro que será realmente depositado na conta.
CET no empréstimo consignado
O consignado costuma ter juros menores porque as parcelas são descontadas diretamente do benefício, salário ou remuneração. Mesmo assim, o CET deve ser analisado.
Seguro e outras cobranças podem aumentar o custo. O prazo também merece atenção: parcelas menores distribuídas por mais meses podem elevar o total pago.
Como usar o CET para escolher a melhor opção?
O menor CET tende a indicar a proposta mais barata quando as condições comparadas são equivalentes. Para evitar uma análise incompleta:
- Compare o mesmo valor líquido recebido;
- Use o mesmo prazo em todas as simulações;
- Confira o CET anual, e não somente os juros mensais;
- Peça o demonstrativo detalhado;
- Verifique tarifas, seguros e serviços incluídos;
- Analise a parcela e o valor total a pagar;
- Confira se há índice ou taxa variável;
- Leia o contrato antes de confirmar.
Também vale questionar serviços opcionais. Se um seguro não for obrigatório, por exemplo, peça uma nova simulação sem ele e compare o resultado.
Vale a pena olhar apenas para os juros?
Não. A diferença entre taxa de juros e CET pode ser grande quando o contrato inclui outras cobranças.
A taxa de juros ajuda a entender uma parte do preço do crédito. Já o CET reúne os custos vinculados à operação e oferece uma visão mais completa.
Ainda assim, a escolha não deve considerar somente o menor percentual. Prazo, parcela, total pago, tipo de garantia e impacto no orçamento também precisam entrar na decisão.
Perguntas frequentes
O que está incluso no cálculo do Custo Efetivo Total?
Qual é a diferença entre CET e taxa de juros anual?
Onde encontrar o CET antes de assinar o contrato?
É possível negociar os custos que compõem o CET?
O CET pode mudar depois da contratação?
Como comparar o CET de dois empréstimos?
Compare o custo completo antes de contratar
O Custo Efetivo Total mostra melhor o preço de um empréstimo ou financiamento do que a taxa de juros isolada. Ele permite identificar despesas adicionais e comparar propostas de forma mais clara.
Antes de contratar, peça o demonstrativo, confira o que inclui o CET e análise quanto será recebido e pago. Uma taxa de juros menor nem sempre resulta no crédito mais barato.



