Como economizar para comprar um apartamento: guia para sair do aluguel

Veja quanto guardar, como se planejar e quais erros evitar

Por: Gustavo Marlieri em 05/05/2026
Tempo de Leitura: 12 minutos
casal feliz fazendo mudança após Economizar para comprar um apartamento

Economizar para comprar um apartamento exige definir o valor do imóvel, calcular a entrada, organizar o orçamento e guardar dinheiro todos os meses com disciplina. Em geral, quem pretende financiar precisa juntar de 20% a 30% do preço do apartamento, além de reservar uma quantia para impostos, cartório, mudança e possíveis ajustes no imóvel.

A boa notícia é que, com um plano realista, cortes inteligentes e aplicações seguras, esse objetivo pode sair do papel sem transformar sua vida financeira em um sufoco.

Comprar o primeiro imóvel é um daqueles sonhos que mexem com a rotina, com a família e, claro, com o bolso. Mas não precisa ser um plano distante ou confuso.

O segredo está em transformar a ideia de “quero sair do aluguel” em números simples: quanto custa, quanto falta, quanto posso guardar e em quanto tempo quero comprar.

Neste guia do Plusdin, você vai entender como economizar para comprar um apartamento de forma prática, segura e possível para a sua realidade.

Quanto dinheiro preciso para comprar um apartamento?

A primeira resposta é: depende do apartamento que você quer comprar. O valor necessário muda conforme a cidade, o bairro, o tamanho do imóvel, o padrão do condomínio e a forma de pagamento.

Ainda assim, existe um ponto de partida muito importante: a entrada do apartamento.

Na maioria dos financiamentos imobiliários, os bancos não financiam 100% do imóvel. Por isso, quem quer comprar precisa ter uma parte do valor guardada. Em muitos casos, essa entrada fica entre 20% e 30% do preço do imóvel.

Imagine um apartamento de R$ 300 mil. Nesse caso:

  • uma entrada de 20% seria de R$ 60 mil;
  • uma entrada de 30% seria de R$ 90 mil.

Perceba que a diferença é grande. Quanto maior for a entrada, menor será o valor financiado.

Isso pode ajudar a reduzir as parcelas, diminuir o impacto dos juros e aumentar suas chances de aprovação no crédito imobiliário em bancos como Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Inter.

Por isso, antes de pensar apenas no imóvel dos sonhos, pense também no imóvel que combina com sua renda atual. Essa escolha evita frustrações e ajuda você a criar uma meta possível.

Não pense só na entrada: veja os custos extras

Um erro muito comum de quem começa a economizar para comprar um apartamento é juntar apenas o valor da entrada. Só que a compra de um imóvel envolve outros custos importantes.

Além do preço do apartamento, você pode precisar pagar:

  • ITBI;
  • escritura;
  • registro do imóvel;
  • taxa de avaliação bancária;
  • tarifas do financiamento;
  • mudança;
  • pequenos reparos;
  • móveis básicos;
  • pintura ou adaptações.

Essas despesas costumam aparecer justamente na fase final da compra. Ou seja, quando a pessoa já está animada para assinar contrato e pegar as chaves.

Por isso, ignorar esses custos pode atrasar o plano ou obrigar você a usar dinheiro que deveria ficar guardado para emergências.

Uma boa estratégia é criar duas metas: uma para a entrada e outra para os custos extras.

Assim, se o apartamento custa R$ 300 mil e sua meta de entrada é R$ 60 mil, vale considerar uma reserva adicional para impostos, cartório e mudança.

Esse cuidado evita aquela sensação ruim de “achei que já tinha juntado tudo, mas ainda falta dinheiro”.

Como saber quanto guardar por mês?

Depois de calcular o valor necessário, chega a hora de transformar o sonho em uma meta mensal. A conta é simples:

valor necessário ÷ prazo em meses = valor a guardar por mês

Suponha que você precise juntar R$ 60 mil em cinco anos. Cinco anos equivalem a 60 meses. Então, a conta seria:

R$ 60.000 ÷ 60 = R$ 1.000 por mês.

Isso significa que, para chegar à entrada em cinco anos, você teria que guardar R$ 1.000 todos os meses. Se esse valor não cabe no seu orçamento hoje, existem três caminhos: aumentar o prazo, escolher um imóvel mais barato ou buscar formas de aumentar a renda.

Guardar entre 20% e 30% da renda mensal pode ser uma boa referência. Porém, nem todo mundo consegue começar nesse nível. E tudo bem. O mais importante é iniciar com um valor realista e aumentar aos poucos.

Se hoje você só consegue guardar R$ 300, comece com R$ 300. Depois, ao quitar dívidas, reduzir gastos ou ganhar mais, aumente o valor. O que não ajuda é esperar o momento perfeito, porque ele quase nunca chega.

Organize seu orçamento antes de começar a economizar

Para economizar para comprar um apartamento, você precisa saber exatamente para onde o seu dinheiro está indo. Sem isso, qualquer plano vira chute.

O orçamento funciona como um raio-x da sua vida financeira. Ele mostra quanto entra, quanto sai e quais gastos estão impedindo você de avançar.

Comece listando todas as suas fontes de renda. Depois, anote as despesas fixas, como aluguel, contas, transporte, escola, internet e alimentação. Em seguida, registre os gastos variáveis, como delivery, aplicativos, compras por impulso, lazer e assinaturas.

Você pode usar uma planilha, um aplicativo financeiro ou até um caderno. O importante é manter o controle visível.

Uma divisão simples pode incluir categorias como:

  • moradia;
  • alimentação;
  • transporte;
  • contas da casa;
  • dívidas;
  • lazer;
  • compras;
  • investimentos;
  • meta do apartamento.

Depois de organizar tudo, olhe com calma para os números. Talvez você descubra que gasta mais do que imaginava com pequenos valores do dia a dia. Aquele café, a assinatura esquecida e as compras parceladas podem parecer inofensivos, mas somados fazem diferença.

Corte gastos sem transformar sua vida em sofrimento

Economizar não precisa ser sinônimo de viver no modo sacrifício. Na verdade, o melhor plano é aquele que você consegue manter por meses ou anos.

A ideia não é cortar tudo que dá prazer, mas parar de gastar no automático com coisas que não aproximam você do seu objetivo.

Comece revisando assinaturas que você quase não usa. Depois, veja se dá para renegociar internet, celular, seguros ou mensalidades. Também vale comparar preços no mercado, planejar refeições e reduzir a frequência de pedidos por delivery.

Outro ponto importante é controlar compras por impulso. Antes de comprar algo, espere um pouco e pergunte: “isso é mais importante do que meu apartamento?”. Muitas vezes, só essa pausa já evita um gasto desnecessário.

Também não precisa eliminar o lazer. O ideal é definir um valor mensal para isso. Assim, você se diverte sem bagunçar o plano.

Quando a economia tem propósito, ela fica mais leve. Cada real guardado deixa de ser uma privação e passa a ser um pedaço do seu futuro apartamento.

Crie uma conta ou aplicação separada para o apartamento

Um dos maiores inimigos de quem quer juntar dinheiro é deixar tudo misturado na conta corrente. Quando o dinheiro da entrada fica no mesmo lugar usado para pagar boletos, fazer PIX e comprar no cartão, a chance de gastar sem perceber aumenta.

Por isso, crie uma conta, aplicação ou “caixinha” separada apenas para o apartamento. Alguns bancos e carteiras digitais permitem nomear metas. Se puder, coloque algo claro, como “entrada do apartamento” ou “meu primeiro imóvel”.

Outro hábito poderoso é automatizar a transferência. Assim que receber o salário, envie o valor combinado para essa conta separada. Faça isso antes de gastar com outras coisas.

Essa lógica é simples: primeiro você paga o seu futuro, depois organiza o restante.

Acompanhar a evolução também ajuda. Ver o saldo crescendo mês após mês traz motivação e mostra que o objetivo está andando, mesmo que pareça devagar no começo.

Onde investir o dinheiro para comprar um apartamento?

Guardar dinheiro é importante, mas deixar grandes valores parados na conta corrente pode não ser a melhor escolha. Para quem está economizando para comprar um apartamento, o ideal é buscar segurança, liquidez e baixo risco.

Isso porque esse dinheiro tem destino certo. Ele não deve ficar exposto a grandes oscilações.

Entre as alternativas mais usadas estão:

  • Tesouro Selic;
  • CDB com liquidez diária;
  • contas remuneradas confiáveis;
  • fundos DI com baixa taxa, quando fizer sentido.

Essas opções podem ser encontradas em bancos e plataformas como Nubank, C6 Bank, BTG Pactual, XP, Rico, Itaú, Bradesco, Caixa e Banco do Brasil, dependendo do perfil do investidor e das condições disponíveis.

O ponto principal é: evite colocar o dinheiro da entrada em investimentos muito arriscados se você pretende usar esse valor em curto ou médio prazo. A renda variável, como ações e fundos imobiliários, pode fazer sentido para outros objetivos, mas pode oscilar justamente quando você precisar do dinheiro.

Na dúvida, priorize aplicações simples, fáceis de resgatar e adequadas ao seu prazo.

Use o FGTS como aliado, se você tiver direito

O FGTS pode ser um grande aliado na compra do apartamento. Em muitos casos, ele pode ser usado para ajudar na entrada, amortizar o saldo devedor ou até quitar parte do financiamento.

Mas existem regras. Normalmente, é preciso que o imóvel seja residencial, esteja dentro das condições permitidas e seja usado para moradia. Também podem existir exigências sobre tempo de trabalho, localização e titularidade.

Por isso, antes de contar com esse dinheiro, consulte o banco financiador ou os canais oficiais da Caixa. Faça simulações e veja como o FGTS pode entrar no seu plano.

Quando bem usado, ele pode reduzir o valor que você precisa juntar do próprio bolso e acelerar a compra do imóvel.

Antes de financiar, simule as parcelas

Juntar a entrada é uma grande conquista, mas o financiamento precisa caber na sua vida. Afinal, a compra não termina quando você pega as chaves. As parcelas podem acompanhar sua rotina por muitos anos.

Os bancos analisam renda, histórico financeiro, score de crédito, dívidas existentes e capacidade de pagamento. Em geral, a parcela não pode comprometer uma parte muito alta da renda familiar.

Por isso, simule antes de assumir qualquer compromisso. Compare prazo, juros, seguros, sistema de amortização e custo total. Às vezes, uma parcela parece pequena no início, mas o valor final do financiamento fica muito alto.

Também vale comparar propostas entre instituições. Caixa, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e outros bancos podem oferecer condições diferentes conforme seu perfil.

O ideal é não escolher o apartamento apenas pela parcela inicial. Olhe para o conjunto: entrada, juros, prazo, custo total e estabilidade da sua renda.

Monte um plano em etapas para comprar seu apartamento

Agora que você já entendeu os pontos principais, fica mais fácil montar um plano. E ele não precisa ser complicado.

Primeiro, defina o tipo de apartamento que você quer. Pense em cidade, bairro, número de quartos, vaga de garagem, condomínio e distância do trabalho. Depois, pesquise o preço médio da região.

Com esse valor em mãos, calcule a entrada e some os custos extras. Em seguida, escolha um prazo para comprar e descubra quanto precisa guardar por mês.

Se o valor mensal ficar alto demais, ajuste o plano. Você pode aumentar o prazo, procurar um imóvel mais barato, reduzir gastos ou buscar renda extra.

Também é importante investir o dinheiro com segurança e acompanhar a meta. A cada três ou seis meses, revise tudo: renda, gastos, valor dos imóveis e saldo acumulado.

Esse acompanhamento evita que o plano fique parado no tempo. Afinal, sua vida financeira muda, os preços mudam e suas prioridades também podem mudar.

Erros que atrapalham quem quer economizar para comprar um apartamento

Alguns erros podem atrasar bastante o sonho do apartamento. O primeiro é escolher um imóvel muito acima da realidade financeira. Isso gera frustração e pode levar a dívidas difíceis de controlar.

Outro erro é não calcular os custos extras. Como vimos, impostos, cartório e mudança também entram na conta.

Também é perigoso guardar dinheiro sem prazo definido. Quando não existe data, a meta perde força. Por isso, defina um prazo, mesmo que ele seja ajustado depois.

Misturar o dinheiro da entrada com o dinheiro do dia a dia é outro problema. O valor precisa ficar separado para não desaparecer em gastos comuns.

Evite ainda assumir novas dívidas enquanto está planejando a compra. Financiamento de carro, parcelamentos longos e uso excessivo do cartão podem prejudicar sua aprovação no crédito imobiliário.

Por fim, não use todo o dinheiro disponível na entrada. Mantenha uma reserva de emergência. Comprar um apartamento e ficar sem nenhum dinheiro guardado pode ser arriscado, principalmente diante de imprevistos.

Perguntas frequentes sobre economizar para comprar um apartamento

1. Quanto devo guardar por mês para comprar um apartamento?

Depende do valor do imóvel e do prazo desejado. Uma boa referência é tentar guardar entre 20% e 30% da renda mensal, mas isso pode variar. Para calcular, divida o valor necessário pelo número de meses até a compra. Se precisar juntar R$ 60 mil em 60 meses, por exemplo, a meta será de R$ 1.000 por mês.

2. Qual é o valor mínimo de entrada para comprar um apartamento?

Em muitos financiamentos, a entrada costuma ficar entre 20% e 30% do valor do imóvel. Porém, isso depende do banco, da renda, do perfil de crédito, do tipo de imóvel e das regras da operação. Por isso, é essencial fazer simulações antes de tomar a decisão.

3. Dá para comprar apartamento ganhando pouco?

Sim, pode ser possível, mas exige planejamento. Talvez seja necessário escolher um imóvel mais simples, aumentar o prazo para juntar a entrada, usar FGTS, buscar programas habitacionais ou criar renda extra. O mais importante é comprar algo compatível com a sua realidade financeira.

4. É melhor juntar dinheiro ou financiar um apartamento?

Depende do seu momento. Juntar uma boa entrada reduz o valor financiado e pode diminuir os juros. Por outro lado, o financiamento pode antecipar a compra. O ideal é comparar o custo total, o aluguel atual, os juros, sua estabilidade de renda e sua capacidade de manter as parcelas.

5. Onde guardar o dinheiro da entrada do apartamento?

O dinheiro da entrada deve ficar em opções seguras e com boa liquidez, como Tesouro Selic, CDB com liquidez diária ou conta remunerada confiável. Evite investimentos muito arriscados, pois esse valor tem um objetivo definido e pode ser necessário em uma data específica.

Comprar um apartamento começa com uma decisão financeira bem planejada

Economizar para comprar um apartamento é uma meta grande, mas fica muito mais possível quando você transforma o sonho em um plano.

O primeiro passo é saber quanto custa o imóvel desejado. Depois, calcule a entrada, some os custos extras e defina quanto precisa guardar por mês.

Com o orçamento organizado, fica mais fácil cortar gastos sem abrir mão de tudo, separar o dinheiro da meta e investir com segurança. Também vale simular o financiamento, comparar bancos e verificar se o FGTS pode ajudar.

O mais importante é começar. Mesmo que o primeiro valor guardado pareça pequeno, ele representa movimento. E, quando existe constância, cada depósito aproxima você das chaves do seu apartamento.